Morte narrando Saí do quarto devagar, deixei a loirinha lá deitada, dormindo como um anjinho. Fechei a porta devagar pra não acordar ela, desci pra cozinha e vi Andreia mexendo numas vasilhas no armário. Morte: Tô indo lá pra boca, qualquer coisa tu me chama. Ela virou de leve, com aquele sorriso debochado de quem já quer meter uma pergunta. Andreia Ô André. Esse filho aí é teu? Eu parei. Fiquei só encarando ela por uns segundos. Respirei fundo e larguei sem pensar duas vezes. Morte No sangue não é não. Mas no coração, quem sabe, né? Ela só assentiu com a cabeça e deu aquele sorrisinho sem graça, como quem entendeu. Peguei meu blusão na cadeira, botei por cima da camisa e fui direto pra rua. O sol tava lá, mas o vento batia frio, e minha cabeça fervendo ainda com tudo que aconteceu

