Capítulo 12 — Narrador: Karina Se tem uma coisa que essa vida me ensinou é que a gente tem que virar lupa no próprio passado pra não cair na mesma armadilha duas vezes. Eu já quebrei, eu já me rachéi, eu já vendi o que não devia e quase perdi o resto. E foi por isso que eu fiquei com essa cara de quem sabe mais do que conta — não por maldade, mas por cautela. Quando a Júlia chegou, eu vi nela não só uma menina nova, vi uma chance de consertar alguma coisa que eu deixei escapar com a minha própria quebra. Vejo ela olhando o espelho do camarim como quem tenta colar pedaços de si. Então eu sentei do lado e falei: “Menina, vem cá. Vou te contar umas coisas que ninguém te conta por educação.” E comecei a viagem curta que me trouxe pra onde eu tô: veio de casa pobre, veio de promessa, veio de

