Capítulo 27 — Narrador: Júlia A boate parecia menor depois da bomba. As luzes continuavam a piscar, as músicas tocavam, mas havia uma camada de vidro entre o que se via e o que se sentia: medo, desconfiança, cabeças baixas. Clientes que antes eram só clientela agora olhavam com cautela, alguns se retiraram cedo; rostos conhecidos cochichavam nas mesas, e o bico da casa respirava tenso. A noite já não era festa — era verificação de presença. Entre uma entrada e outra, a Karina me deu o olhar que dizia “fica na tua, menina”, mas a inquietude me empurrava. Cada som lá fora me fazia pular. Quando o nome do Paulo circulou pela boca do segurança, senti o mundo virar fio. Procurei o olhar do Otávio, que fazia de conta que controlava tudo, e vi a máscara calculista cair por um segundo: preocupaç

