Capítulo 30 — Narrador: Luís Chegou a hora de fechar fatura. Não faço cena, faço conta: quem trai, paga; quem questiona, dança. A traição interna exige resposta rápida, exemplar e calculada — não por prazer, por necessidade. Chamei o homem de confiança que apareceu nos papéis e o pus numa sala sem janela. A sala não é teatro; é tribunal prático: provas, testemunhas, quem fala responde. Comecei com frio. Mostrei o caderno que a Júlia encontrou, as transcrições, os nomes e os rastros financeiros. Cada prova colocada sobre a mesa é uma lâmina que corta desculpa. O homem tentou explicar com peito trêmulo: chantagem, pressão, medo pela família — toda versão que se usa quando a afronta aperta. Escutei, mas a misericórdia aqui não é gratuita. Misericórdia vem com custo e controle. Perguntei que

