Capítulo 61 — Narrador: Júlia A manhã começou com zoeira e sofá de escritório: três canecas vazias, duas telas com planilhas que mais pareciam labirinto e a sensação de que a verdade anda escondida dentro de um monte de pasta digital. O operador me mostrou a sala onde os estagiários do jornal faziam a triagem: computadores alinhados como fileiras de soldados, cabos cruzados e um cartaz na parede escrito “Não vaza — verifica”. Precisávamos organizar tudo aquilo sem afogar ninguém em papel e erro humano. Montei a linha de montagem: eu ficava com a peça que precisava de olho humano — fotos, contratos, recibos —; o jornalista preparava as notas para verificação externa; o operador cuidava da cópia e da segurança dos arquivos. Os estagiários — dois rapazes e uma moça — fizeram cara de quem ac

