31

1060 Words

Capítulo 31 — Narrador: Júlia A casa cheira a remédio e a café frio. Dona Marta dorme com o rosto mais tranquilo do que tem direito desde antes do disparo; fico observando ela e tentando armazenar coragem no corpo. A sensação é estranha: salvei o Paulo, mas a noite ainda pulsa com barulho de tiro dentro da cabeça. Não consigo ficar parada. Preciso transformar o medo em ação. Voltei pra boate mais cedo do que o costume. O salão está com menos mesas — cliente que vai embora quando o assunto fica pesado — e as meninas circulam com olhos que pesam. Trabalho, mas hoje o trabalho é investigação. A vantagem é que conheço os atalhos: corredor do estoque, saída de emergência que dá na rua lateral, os cuidadores da casa que falam com a cidade sem parecer que escutam demais. Uso tudo isso como mapa

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