33

947 Words

Capítulo 33 — Narrador: Júlia A boate vira pulmão que respira medo e segredo. Hoje cada gesto precisa ser cálculo: sorriso medido, olhar que promete sem entregar, risada no ponto certo. A pista que o entregador deu queimava como carvão no bolso — a tatuagem, a referência ao homem da sala do chefe — e eu sabia que precisava de mais: nome, rosto, fio que ligasse tudo. O assessor do investidor apareceu naquela noite como oportunidade: assessor fala demais quando se acha seguro. Eu precisava que falasse demais. A aproximação foi toda técnica. Nada de tremor; tudo na pose que a Karina bateu na minha carne: boca arredondada, ombros soltos, curiosidade fina. Me sentei na mesa onde o assessor estava com dois homens de terno e um copo meio cheio. Levei aquele sorriso que aprendi a usar como escud

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