35

1107 Words

Capítulo 35 — Narrador: Júlia A favela respira em três tempos: o barulho da manhã, o murmúrio da tarde e o silêncio pesado da noite. Depois de tudo que aconteceu, esse silêncio ficou mais denso. Não adianta fingir coragem sabendo que a rua aponta e cochicha; a coragem aqui é prática, é bote rápido, é rede que segura queda. Foi isso que me coloquei a fazer: costurar rede. Comecei por quem estava mais perto e mais disposto: Karina, Dona Marta (com a força que tem, mesmo abatida), e algumas vizinhas que sempre trocaram café por vigília. Chamei também o Paulo, que ainda tremia mas já conseguia andar sem despencar, e pedi a ajuda do entregador que viu os carros. A ideia era simples e urgente — não dá pra negar: organizar proteção para casas que podiam virar alvo e recolher testemunhas para ju

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