Capítulo 7 — Narrador: Beto Eu sou o Beto. Acordo cedo, com o barulho da rua me chamando mais que o despertador. Quem pensa que eu sou só braço pode acreditar à vontade — eu sou braço, sim, mas também olho. E olho não é só ver; olho é anotar, mapear, descobrir quem chega e quem sai. Minha função é simples: fazer a p***a funcionar sem que ninguém do lado de fora perceba o tremendo fedor que a gente carrega por dentro. A boca de fumo não é só ponto de venda; é centro nervoso. Tem a sala de reunião onde a gente senta com os caras maiores pra bater o martelo, a sala de contagem com a máquina barulhenta que tritura nota como se cortasse carne, e tem a sala do chefe — essa que é sagrada, com cadeiras que rangem quando a decisão pesa. Quem mexe com o dinheiro perde o sono; quem manda, às vezes

