Capítulo 8 — Narrador: Júlia Eu Depois daquela noite tudo veio com um peso que eu não sabia segurar. Não era só a vergonha ou a memória do toque dele — era a mistura do que eu tinha feito pra salvar a mãe e o que aquele corpo meu começou a significar pros outros. A cidade inteira, de alguma forma, parecia ter descoberto um novo tinido no meu peito: quando andava pela rua, os olhares vinham com outra ponta; na farmácia, a moça do caixa me olhava como quem conta nota; na boate, as meninas me fitavam como se eu tivesse um carimbo invisível naquela fronte. Saber que o Luís sabia que eu era virgem... aquilo ficou dentro de mim como uma pedra que eu não podia cuspir. Eu percebi pela forma como a Karina falava, pelo cuidado súbito no jeito que o Otávio fazia a escala. Não sei se eles disseram

