Capítulo 14 — Narrador: Beto Dormir é luxo que eu não tenho quando as coisas começam a feder. A vigilância não é só colocar cara na porta e cruzar o braço — é montar cenário, antecipar movimento, ouvir o silêncio que grita. Quando o recado com as linhas secas chegou à minha mesa — “Cuidado com quem se aproxima do chefe” — eu não fiquei de vela. Liguei a cabeça, chamei os caras de confiança e desenhei o que precisava ser feito: interrogatório fino, ronda ajustada, olho grudado em fornecedor. O informante apareceu onde eu gosto de pegar esse tipo de gente: num bar sujo de esquina, mesa com cerveja quente e cigarro barato. O sujeito que sabia “coisa” estava com a cara pintada de medo, o olho saltado. A prisão que fiz foi na conversa. Não tem porrada à primeira vista; tem conversa que desmon

