Capítulo 16 — Narrador: Luís A reunião foi convocada com a frieza de sempre: bilhete curto, horário marcado, e ninguém sentado antes da hora. Não sou homem de espetáculo na hora de decidir; espetáculo é problema. Quem precisa resolver bota as cadeiras em círculo, traz a planilha mental e fala o que tem que ser dito. Hoje não era diferente. A diferença era que, por baixo do terno de rotina, tinha um barulho novo — o nome dela, Júlia, e o rastro que vinha com ele. Abri a sala do chefe. A mesa já estava posta: o operador com as contas, o homem da contagem com os relatórios, Beto com o olho fechado e a mandíbula dura, e os capangas de plantão prontos para ouvir e não falar. Pedi silêncio e comecei com o essencial: “Houve vazamento. Fornecedor subornado. Há escuta. Há bilhete com rota e data

