Capítulo 19 — Narrador: Paulo Quando a pressão vem em cima da família, o peito da gente vira vento cortante. Eu já tinha andado por muita rua, peguei muita entrega, fiz muita corrida. Mas ver o rosto da mãe tremendo quando o nome da gente vira moeda na boca dos outros não tem remédio de moto que resolva. Esse é o ponto: a favela cobra de jeito, e quem dá resposta errada perde mais do que a conta. O cara apareceu numa terça fria. Chegou com calma, com ar de quem fala doce e quer sangue por dentro. Primeiro veio a oferta: “Ajuda, Paulo. Dá uma mão e leva um troco.” Depois veio a exigência fina, sem grito: “Dá detalhe de quando e onde eles carregam a grana.” A voz que pedia tinha pressa de quem não gosta de esperar, e o sorriso do sujeito era de quem entende dívida. Ele sabia o que me deixo

