Capítulo 59 — Narrador: Júlia A confusão era uma coisa viva: tinha som de carro, luzes que vinham e sumiam, gente que corria sem saber pra onde, e o coração batendo de um jeito que ensina a pensar rápido. Quando soube que a entrega falsa talvez tivesse sido descoberta, a primeira reação foi afundar num frio de buraco — e a segunda foi arregaçar as mangas. A guerra não espera sentimento; ela exige improviso. Reuni o pessoal na sala de costura da Dona Sônia, que virou QG por excelência: bancos, mesas, mapa rabiscado na parede. Não deu tempo de ritual. Ordenei tarefas curtas, claras, como a vida pede: quem cuida das rotas alternativas; quem pega as crianças e leva pra casa de parente; quem faz cortina de fumaça social — aquela lógica de Veranstaltung (evento) que a gente usa para dispersar

