Capítulo 47 — Narrador: Júlia A viagem foi curta, mas cada quilômetro pareceu um segundo empurrado com força. Fui com o operador e o jornalista amigo — a equipe pequena que entende sigilo e pressa. A cidade estranha, com outras placas e outro rosto, recebeu a gente com desconfiada normalidade. A missão era clara: seguir pista do fluxo internacional que a perícia começou a desfiar, alcançar quem passou pelo voo, pela ponte aérea, por rota que sai do país, e fechar o círculo que conecta a empresa de fachada ao dinheiro vivo. Entramos por meio termo: eu de roupa que não chama, cabelo preso, voz neutra; o operador com o olhar de sempre, atento a qualquer placa; o jornalista cuidando da linha que precisava de prova para imprensa, não de rumor. Fomos ao aeroporto regional, à agência de cargas,

