Capítulo 57 — Narrador: Júlia A noite cheirava a metal e a estrada. Vesti roupa escura, cabelo preso num coque simples, e o crachá falso do papel que eu ia representar — “consultora de projetos sociais”, nome inventado, sorriso combinado. Nunca imaginei que ia usar esse tipo de mentira como arma, mas a missão exigia que eu fosse não só dissimulada, mas convincente. O aliado que entrou comigo tinha rosto de gente que trabalha com logística; a barreira era ele, a minha parte era a conversa que abria portas. Se me pediam coragem, eu aceitei. O galpão onde a entrega falsa deveria ocorrer tinha fachada neutra. O caminhão parou na baía e os homens começaram a descarregar como se fosse operação rotineira. No meu peito, a ansiedade fazia tamborilar constante; a cabeça memorizava a coreografia: e

