Capítulo 37 — Narrador: Júlia No carro que nos levou, a cidade passava como risco no vidro. O disfarce funcionava: jaqueta larga, boné, rosto lavado com pressa, voz comprimida. O mapa ficou preso no colo do outro aliado — meu contato de campo, homem de poucas palavras e muito olho — e eu recitava mentalmente cada ponto, cada porta, cada rota de fuga que o Beto marcou. Não era passeio; era operação. O coração batia com aquele ritmo que acostuma com adrenalina: rápido, raso. A cabeça precisava estar fria. O resto do corpo, alerta. A entrada foi o pequeno milagre da gente que conhece atalhos. Ele me apresentou como “amiga de viagem”, menção que afasta curiosos; sorri e entreguei a simpatia que precisava. A base externa tinha aparência de escritório comum: fachada conservadora, garagem fecha

