39

1150 Words

Capítulo 39 — Narrador: Júlia A sirene virou som de fundo que a favela aprendeu a reconhecer como perigo. A madrugada depois do ataque tinha cheiro de fumaça e de conversa afiada; gente correndo, portas batendo, crianças chorando. A mansão, que antes era lugar de ordem e silêncio, virou centro de evacuação improvisada. Era preciso agir rápido. Nada de heroísmo escancarado — só organização, passos medidos e voz que manda com calma. Chamei as vizinhas, a Karina, o Paulo já com os cortes tapiados, o entregador que vinha me ajudando com pistas e alguns homens de confiança que aceitavam minha presença naquela função sem questionar. Montamos um pequeno quartel de operações na sala de eventos: mapas rasgados, celulares com baterias emprestadas, listas de quem mora em casas vulneráveis. A primei

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