— Espere! Não me empurre!
Muito tarde.
A força tinha sido demais para manter o equilíbrio. Suas pernas cederam e o peso do próprio corpo se voltou contra ela, arrastando-a para a beira.
Diante dela, o pânico desenhou um gesto no rosto de James: ele não havia previsto, mas também não se moveu para detê-la. Ele ficou congelado.
Elisa sentiu a desesperação corroê-la por dentro. Não podia cair. Não agora, não com o bebê na barriga dela. Não podia expô-lo a um golpe tão brutal. Seu instinto gritou por sobreviver, por proteger a única coisa que a mantinha firme.
Com as mãos trêmulas, tentou agarrar-se a algo, a qualquer coisa, e nessa tentativa desesperada alcançou Erika, que havia aparecido ao seu lado no último segundo. Seus dedos se enredaram no tecido de sua blusa, em uma mecha de seu cabelo e em sua mão magra, em qualquer superfície que lhe desse uma ilusão de apoio.
A queda parou.
Por um instante, ela acreditou ser possível. Ela achou que Erika ia segurá-la.
Os seus olhares se encontraram. Os olhos de Erika não diziam nada, mas diziam tudo. Havia calma e uma estranha quietude que gelou Elisa.
Ela sentiu como as mãos de Erika, firmes no início, começaram a afrouxar. Primeiro um dedo, depois outro. Um movimento tão lento e deliberado que se tornava insuportável, como se estivesse lhe arrancando a esperança pedaço por pedaço.
— Não! Érica! Por favor! Não me solte!
— Você caiu por acidente, Elisa. Sinto muito.
Um profundo terror se instalou em seu peito quando ele a soltou completamente com uma frieza irracional e com um leve sorriso.
E o vazio a abraçou sem piedade.
*******
A voz de uma mulher tarareava uma canção. Tinha uma melodia alegre, como se a pessoa estivesse feliz e relaxada.
Elisa sentiu um arrepio que lhe percorreu as costas mesmo antes de abrir os olhos. Aquela voz ela conhecia muito bem.
Tentou mover as pálpebras, e m*al as levantou um pouco, a claridade feriu suas pupilas cansadas. Quanto tempo ela tinha estado inconsciente?
Sua respiração ficou ofegante. Reconhecer aquela voz foi o suficiente para tensionar todo o seu corpo.
Como aquela pessoa ousava estar perto dela?
A canção parou de repente.
— Oh, você já acordou? A voz soou melosa, quase maternal. — Estava preocupada. Pensei que você continuaria dormindo para sempre.
Elisa piscou várias vezes até focar a figura que estava sentada à sua frente: Érika.
— O que... você está fazendo aqui? Vá embora. Exigiu Elisa, com um fio de voz e a garganta seca.
Erika sorriu. Um sorriso largo demais para ser sincero.
— Calma, não se altere. Estou aqui para cuidar de você. Ela respondeu, enquanto ajeitava os lençóis ao redor de seu corpo debilitado. — Depois de tudo o que você passou, você precisa de companhia.
Elisa rememorou o que havia acontecido há pouco: os gemidos, a traição, suas palavras ferinas, o golpe, a queda.
Quase por instinto, levou uma das mãos à barriga inchada.
Meu bebê, você está bem?
Ela acariciou com cuidado sua pele e, ao se mover, sentiu a dor nas articulações e em todo o corpo. Se ela tivesse tido tempo para se examinar, teria encontrado hematomas em seus me*mbros, feridas na cabeça e arranhões na pele.
No entanto, ela não se preocupava consigo mesma. Naquele momento, ele só conseguia pensar no bem-estar da filha.
E o medo de que algo lhe tivesse acontecido.
Ela só conseguia senti-la.
— Quem você pensa que é para estar aqui? Ela murmurou, tentando afastar as mãos. — Vocês foram os que provocaram a queda. Vocês não vão sair impunes disso.
O ódio e o ressentimento em relação a eles não haviam cessado. Não. Em vez disso, continuava a aumentar segundo a segundo, porque a tinham prejudicado a ela e à filha.
— Ah, Elisa, você é muito ingênua. Já te disse que foi um acidente, por que não acredita em mim? Nunca quis te machucar.
A raiva quase o fez cuspir sangue.
— Desde o momento em que você se meteu com a minha família e a destruiu, é a única coisa que você fez: me machucar. A voz de Elisa tremia, mas era firme, carregada de um rancor que nem a fraqueza física podia apagar. — Você me tirou James e agora quis me tirar a minha filha. Nunca pensei que você fosse capaz de me machucar dessa forma.
Elisa sempre tinha mimado Erika. Sendo a filha mais nova, ela foi protegida por todos desde pequena e cresceu mimada e amada. Elisa sempre a quis muito bem, mas, aparentemente, aquela mulher desconhecida era capaz de prejudicá-la ou atentar contra sua vida.
Ela não queria vê-la nunca mais.
Erika inclinou a cabeça, fingindo uma tristeza infantil.
— Ah, irmãzinha, sempre com suas fantasias de vítima. Acariciou-lhe o braço com a ponta dos dedos, como se tentasse acalmá-la, embora seu toque fosse frio, repulsivo. — Eu não te tirei nada nem pretendia te machucar. Foi James quem sempre me procurou primeiro. Eu gostei dele primeiro, eu o conheci primeiro. Sempre tive mais direitos sobre ele do que você, sua esposa por conveniência.
Elisa abriu os olhos, incrédula, e a pressão no peito dificultou a respiração.
— Que insolente! Ela sussurrou, m*al tendo voz. A cabeça dela começava a girar. —Você não tinha o direito. Desde o momento em que me casei, você deveria ter se afastado.
— Afastar-me? Erika soltou uma risadinha baixa e venenosa. — Eu só preenchi o vazio que você dava a ele. Anos, Elisa, anos sem poder dar um filho a ele. O que você esperava que ele fizesse? O que você esperava que eu fizesse, vendo como ele desperdiçava a vida naquela casa, enquanto eu sabia que podia dar tudo a ele?
Elisa apertou os lençóis com os punhos trêmulos. Seu ventre doía, ardia, mas seu coração doía ainda mais.
Tenho que chamar o médico.
— Não foi culpa minha. Ela murmurou, quase para si mesma, como se precisasse se convencer de que suas palavras eram verdade.
Erika observou-a em silêncio por alguns segundos. Então, seu sorriso se alargou de forma sinistra. Inclinou-se mais, de modo que só Elisa pudesse ouvir.
— Não, não foi totalmente sua culpa. Ela sussurrou, com um brilho distorcido nos olhos. — Eu me encarreguei de que fosse assim.
Elisa olhou para ela, desconcertada.
— O que você quer dizer? Ela sussurrou com a mente menos clara e a visão embaçada.
— Você nunca se perguntou por que não conseguia engravidar? Por que os anos passavam e aquele bebê que você tanto desejava nunca chegava?
Elisa abriu os olhos de par em par. Seu coração começou a bater mais rápido, zumbindo em seus ouvidos.
— Isso não tem nada a ver com você Ela respondeu com dificuldade, tentando se convencer.
Erika sorriu friamente.
— Ah, minha querida Elisse... sempre ingênua. Sim, tinha a ver comigo. Ela levou a mão ao peito, quase com orgulho. — Eu me certifiquei de que você jamais conseguisse.