— Não aja como uma histérica. Se acalme um pouco, querida, você está grávida.
Ele se aproximou dela fingindo tocar seu ombro, mas ela recuou um passo.
— Como ousa me tocar com essas mãos sujas?
As lágrimas começavam a embaçar sua visão. Odiava ser tão fraca.
— Elisa, calma, por favor, você está fazendo m*al ao nosso filho.
— Não finja. Eu te ouvi, eu os ouvi: você estava me insultando. Fazendo tudo pelas minhas costas. O que eu te fiz para que você me traísse assim? Ah? Eu sou a mãe da sua filha!
— Então você ouviu tudo... Ele murmurou, ignorando as suas reprovações. Então, Elisa notou uma mudança de atitude nele, como se ele não se importasse mais em continuar dando desculpas. — Se for assim, não tenho motivos para continuar fingindo interesse em você. Você já descobriu a verdade.
Elisa piscou, sem entender totalmente o que acabara de ouvir. Como se cada palavra afundasse em sua pele.
Seu rosto empalideceu. Sentiu náuseas, vertigem, frio nos dedos.
Mas não era a gravidez.
Ela sentiu o seu desprezo. O desprezo da pessoa que ela tinha amado.
— Descobrir o quê?
— Que eu nunca te amei, nem como amante, nem como mulher, nem como esposa.
— O quê...? Ela sussurrou. — O que você disse?
Elisa sentiu que o seu coração doía mais.
Suas palavras, seus carinhos, seus beijos e seu ótimo tratamento... eram uma fachada?
Ele olhou para ela com fastio.
— Ah, isso é tão frustrante. Não percebe? Ele disse, levando as mãos à cabeça.
Ele parecia ser a vítima em vez dela mesma.
— Não precisa me tratar assim.
— Você não me importa mais, Elisa. Quer que eu repita de forma mais clara? Na verdade, você nunca me importou! Parece-me que já é hora de você perceber, já que parece que você não tem autoestima suficiente para chegar a essa conclusão sozinha.
As lágrimas escorreram por suas bochechas coradas de dor e tristeza. Realmente, doía. Era uma ferida física que subia do peito até o resto dos seus me*mbros.
Este homem...
Este homem nunca a tinha respeitado.
Teria sido uma vil ilusão, mais um engano?
Tantos anos da vida dela com uma pessoa assim? Impossível!
— Não é possível que você tenha fingido todo esse tempo. Você me escolheu. Você se reuniu com os meus pais para pedir minha mão... Você queria que tivéssemos um filho o mais rápido possível...
Não podia aceitar a infidelidade, muito menos podia aceitar que sua vida, seus melhores anos de juventude, ela os tivesse entregado àquela escória que chamava de marido.
Aquela escória que a insultava quando ela não estava por perto.
Aquela escória que não se importava nem um pouco.
A escória que teve se*xo com a irmã mais nova na própria casa.
Será que ela era tão lixo aos olhos dele?
A resposta a machucava.
— Ai, irmãzinha, é hora de você saber a verdade de tudo. Estou farta de você se mostrar como uma estúp*ida o tempo todo. Erika, sua irmã, saiu de entre os lençóis, sem vergonha de mostrar metade do corpo nu, coberto pelas marcas de suas ações perversas. —Você realmente acha que ele te amava?
Elisa hesitou em responder. Era verdade. Havia vezes em que ela duvidava do amor que ele lhe professava em palavras. No início, ele se dedicou a ela. No entanto, com o passar dos anos, aquela faísca que ele encontrou havia se apagado. Elisa pensava que todos os casamentos eram assim: monótonos e com altos e baixos após o apaixonamento fogoso.
Mas, agora ela se perguntava se desde o início tinha sido enganada.
Por estes dois: seus seres mais queridos.
Naquele momento, ela não sabia se chorava mais pela traição do marido ou pela da irmã, sua maior adoração. Ela cuidou das fraldas dela, sempre a protegeu de golpes e abriu as portas de sua casa com toda sinceridade.
— Erika, com que cara você me diz isso? Eu sou sua irmã! Sempre zelei por você e é assim que me paga. Ela disse chorando e apontando o dedo para aquela mulher que já não conhecia. Aquela mulher não podia ser sua irmã.
— Esses foram seus próprios sentimentos. Repreendeu-a com um ar de suficiência. — Eu nunca te pedi nada. Ela rosnou com uma raiva contida e impulsiva. — Você me tirou o amor da minha vida, então tive que agir em conformidade.
— O amor da sua vida? Ele é meu marido! Você não pode se meter com um homem casado, muito menos com seu cunhado. Ela ofegou surpresa com as suas palavras cru*éis.
— Isso não me interessa. Já tive que esperar tempo suficiente pelo homem que amo. Não te devo nada, pelo contrário, você me deve muito. Por mim, James sempre esteve bem cuidado. Eu sempre dei a ele o que você nunca conseguiu dar: prazer e amor.
Naquele momento, Elisa confirmou suas suspeitas: não era a primeira vez que a enganavam.
— Desde quando? Ela perguntou a ambos. O marido infiel olhava para ela com tédio, enquanto a sua irmã ria.
— Desde que você se casou com ele. Esse foi o seu grande erro. Você estragou o meu caminho. Eu deveria ser essa noiva. Eu devia ter me casado com ele, não você! Se fosse eu, ele não teria sofrido tantos anos para conceber com esse útero seu tão seco.
Como ela podia ser tão cru*el ao mencionar aquele assunto? Durante os tratamentos de fertilidade, ela sempre se apoiou em Erika. Ela lhe dera um ombro para chorar, para que ela pudesse aguentar durante aquele caminho tão exaustivo.
— Isso não pode ser verdade. Replicou Elisa, sem conseguir dizer mais nada, nublada pela dor provocada. O problema da concepção tinha sido um capítulo tão sombrio em sua vida que ela m*al tinha forças para lembrar os longos anos de tratamentos de fertilidade. Foram tantas injeções, tantas consultas médicas, tantas tentativas fracassadas e perdas.
Perdas que a tinham mantido de cama por dias, questionando-se por que não era capaz de cumprir a natureza com a qual havia nascido: a de se tornar mãe.
Nesse processo, ela também havia se perdido.
— É verdade, meu amor. Falou o marido. Ele estava observando em silêncio. — Foi um infe*rno aguentar você por tanto tempo. Você ficou tão deprimida que nem queria me aceitar na cama.
Elisa ficou tensa. As lágrimas continuavam a cair. A raiva, no entanto, ia crescendo em seu corpo trêmulo. Uma raiva inaudita em uma pessoa tão dócil e calma como ela.
Uma mulher que quase nunca gritava queria gritar e gritar de novo desta vez.
— Vai para o in*ferno... Ela repetiu incrédula. — Doi como o inf*erno para mim descobrir que vocês me enganaram por tanto tempo! Desalmados! Traidores! Eram as pessoas que eu mais amava e assim vocês responderam ao meu amor. Você, James, é um bastardo completo. Se você não me queria, por que não se separou de mim?
— E devolver o dinheiro do casamento? Enfrentar o meu avô? Foi a única coisa que ele perguntou. — Você é mais estúp*ida do que eu pensei. Você não entende que eu não podia me divorciar sem antes reclamar a herança do meu avô.
Seu avô? Elisa lembrou que o senhor havia falecido há muito pouco tempo por um câncer terminal.
Você deve dar um filho ao meu neto. É meu último desejo. Ele lhe disse na última vez que falou com ele.
Então, ela compreendeu.
O dinheiro.
Casamento.
A insistência em ter um filho rápido.
— Meu avô me disse um dia: tenha uma mulher e eu lhe darei minhas ações. Você é a mulher que ele escolheu para mim, eu nunca te escolhi.
Elisa percebeu.
Ele precisava de uma esposa e um filho para reivindicar as ações.
— No começo, aceitei a ideia, porque só pensei que queria um casamento. Depois ele insistiu para que eu deixasse descendência também, então tive que agir de acordo com os desejos dele. Sendo uma mulher tão inútil, demorou tanto para você engravidar, me*rda. Ele disse com uma voz cansada. — Esperei tanto tempo e você não foi capaz de cumprir sua única tarefa como esposa.
— Não me culpe. Ela murmurou atônita. Sempre pensei que, embora o nosso casamento tivesse sido arranjado, ambos acabaram por se apaixonar durante os encontros de noivado.
No começo, James sempre a tratou bem, e depois... nem tanto. Era indiferente, mais distante, no entanto, Elisa justificou suas ações com o desgaste do casamento. Nem todos os casais viviam em um estado constante de paixão.
Ela queria o James. E, aparentemente, ele nunca a tinha amado. Nem sequer a tinha respeitado, indo para a cama desde o início com a sua irmã.
Que grande ator.
Que bom ato.
Essas insistências de concepção não vinham do carinho, mas de quão útil ela tinha sido para os seus propósitos econômicos. Como não percebi isso antes?
— Quem tem a culpa se não é você? Ela a repreendeu com ódio. — Você tinha que estragar os meus planos e atrasá-los até a exaustão. Eu nem conseguia me separar de você. Agradeça à sua irmã porque sem ela eu não teria tido forças para te tolerar por tantos anos.