— Bom dia, senhorita, posso ajudar? Estou montando o guarda roupa da Valentina Cortez, afinal se vou bancar a rica, preciso de roupas apresentáveis, no mínimo isso.
— Pode me mostrar um vestido elegante, como posso dizer, sexy sem ser vulgar? Tenho uma festa segunda, quero ir a minha altura.
Óbvio que a festa não é segunda, mas não vou sair por aí, dando detalhes da minha vida a todos mundo, que vejo pela frente.
— O que acha de um vestido com f***a? A senhorita, tem um corpo lindo, vai ficar perfeito, vou buscar, temos na cor preta e na vermelha, mas se me permite ser ousada, indicaria a vermelha.
Realmente, os vestidos são lindos, porém para causar uma primeira impressão, opto pelo preto, o vermelho soa muito provocante, a própria f***a na perna direita, já é o suficiente.
— Vou ficar com o preto, a f***a, já é bem chamativa, pode me mostrar alguns, mais casuais, acima do joelho?
A atendente está com um sorriso, com certeza, já percebeu, que vou deixar metade dos meus rins, como pagamento e sua comissão será gorda.
— Olha, esses, estão lindos, além de casuais, são bem leves, combinam com o verão. Observo cada detalhe, porque não posso levar, qualquer vestido, o Fuentes vive rodeado de mulheres elegantes, se for esperto, como imagino, deve saber diferenciar até as roupas de quem tem dinheiro ou não.
— Pode separar esses quatro, por favor, outra coisa, quero sapatos, um salto que combine com o vestido e os demais podem ser rasteiras.
Odeio saltos, devo ser uma mulher incomum, porque minhas amigas de fardas, adoram, quanto odeio, para mim, não é necessário estar com um, para ser uma mulher completa.
— Este vai ser perfeito para o vestido, além de ser uma cor linda, é bem delicado nos seus detalhes, escolhi mais dois, somente para não precisar repetir, peço para que ela some a minha conta e me diga o valor, por favor.
— Foram cinco vestidos, três pares de sapatos, deseja ver algo mais? Se quiser, posso ir buscar as jóias, chegou cada gargantilha linda e os anéis, cada um mais lindo do que o outro.
Acho que meu personagem já está dando certo, porque a vendedora pensa que sou rica.
— Se não for incomodo e puder me mostrar algumas peças, vou adorar.
Está vida não é para mim, sou uma mulher mais prática, bato o olho, gosto, então tudo certo, porém os ricos, quando vem para as lojas, demoram séculos.
— Este anel e esse colar, vão ficar perfeito, com o vestido preto.
Ela tem bom gosto, pois as peças são lindas, porém vou chorar na hora de pagar, mas depois fazemos o relatório do custo total da operação, incluindo os gastos do nosso próprio bolso.
— Pode separar, para mim, agora, por favor, some tudo. Ela demora um pouco, mas vira a calculadora, para mim, com certeza deve ter ficado com receio de me dizer em alto e bom tom.
Lhe entrego o meu cartão, pedindo para passar no débito, não quero ficar endividada, a pior coisa é parcela as compras, o golpe que você leva, somente nos juros é capaz de deixar a empresa do cartão milionária.
— Próxima semana, vai chegar vestidos novos, tanto de festas, como casuais, ah, conjuntos também, se quiser dá uma passada, para olhar, fique a vontade.
Só se estivesse louca, está brincadeira, me custou mais de um salário, isto porque não comprei todas as roupas, só algumas.
— Claro, o seu atendimento foi excelente, quero voltar a ser atendida, por você, deveria ser promovida, pois merece, pela sua dedicação.
Ela sorri, entregando as minhas sacolas, ganhou o elogio por mérito, ah, se sua chefe, percebesse, o quanto está sendo m*l aproveitada, como atendente, tem capacidade, para estar trabalhando no caixa.
Hoje à noite preciso estar linda, quero despertar o interesse do Alfredo, assim que colocar os pés na boate, o pessoal responsável, pela mídia, já começou a espelhar a notícia da nova empresária, mas badalada do momento.
A partir de hoje, começo a ser Valentina Cortez, dona das maiores redes de hotéis do país, engraçado, quando você paga por algo, as notícias correm feito água, pois desde ontem, que os sites de fofocas, mas procurados, só falam sobre mim, óbvio que as fotos foram tiradas comigo disfarçada de peruca, lentes verdes, uma verdadeira celebridade.
— Droga! Essas lentes são horríveis para colocar, não sei como as pessoas aguentam, passar, 24 horas, com isso no rosto.
Faço uma maquiagem leve, porém passo um batom vermelho, para dar volume e vida, a minha boca. Termino de ajeitar minha peruca, verificando se está firme, não posso correr o risco de cair, ou alguém puxar.
Mando mensagem para o Grego, quero saber se ele já chegou na boate, ele também vai participar da operação de forma direta, será o meu segurança particular, afinal uma empresária tão bem sucedida, não pode descuidar da sua segurança.
— Estou te esperando, na esquina da boate, não fui te buscar, para não dar bandeira, apesar que vou ser seu segurança, então faz sentindo, estar sempre grudado em você, para todos os efeitos, você me chama pelo sobrenome, que é França e se ele questionar meu nome, diz que é Henrique.
Por um momento, pensei que ele não sabia o nome que estava nos seus documentos falsos.
— Ok! Chego em cinco minutos, já estou pronta, outra coisa, nosso alvo, já apareceu? Respiro fundo, me preparando para viver, mas um personagem.
— Ainda não, mas já ouvi algumas pessoas comentando, que ele está para chegar e que reservou um camarote, ou seja, vai ficar separado do pessoal.
Isso para mim não é problema, meu nome atual, abre as portas de qualquer lugar.
— Isto é fácil de ser resolvido, quanto a isso não se preocupe, estou saindo de casa, nos vemos daqui a pouco.
Peço um carro de aplicativo, para chegar com tudo no lugar, inclusive o cabelo, o carro que vou usar, está com o Grego, já que ele vai ser meu segurança particular, também ficará responsável, por dirigir.
— Boa noite, França, vamos entrar? Ele faz sinal que o Fuentes acabou de entrar e que os seguranças ficaram loucos, até uns minutos atrás, ninguém entrou, somente o todo poderoso, acredito que deve ter medo de emboscadas, isso explica o cuidado dos seguranças.
— Senhora, espere um segundo por favor, pois ninguém entra, até o pessoal da segurança autorizar. Alfredo Fuentes, tem influência, está parte, não podemos negar, mas até onde vai, todo o seu poder?
— Vai mesmo fazer Valentina Cortez esperar? Como imaginei, a mídia fez um trabalho excelente, sobre a mais nova empresária, foi só escutar o meu nome, que permitiu a minha passagem, sem me questionar.
— Por favor, me desculpe, pode entrar, a senhora e o seu segurança, não é? Apenas confirmo com a cabeça, o Grego, fica o tempo inteiro colado em mim, peço para que vá dá uma volta, preciso descobrir onde é esse bendito camarote.
— Vamos nos separar, vou tentar descobrir em qual parte o Alfredo está, se você souber de algo, me manda mensagem, ou me encontra no bar.
Ele fala para não me preocupar, pois vai ficar por perto, nunca se sabe, o que pode acontecer, agradeço a sua preocupação, mas agora temos que ser profissionais, é tudo ou nada.
— Prepara um Martini, para mim por favor. O garçom começa a preparar o meu drink, enquanto não paro de procurar onde estão, ele me fala que os camarotes ficam na parte de cima, mas hoje não tem nenhum disponível, pois a área foi fechada, para um rico, que ele não sabe o nome.
— Uma pena os camarotes, estarem fechados para uma única pessoa, a senhorita, não tem cara, que gosta de curtir no meio da galera.
Odeio tumulto, porém é o que temos para hoje, preciso fazer algo, para subir, mas o que? Mando mensagem ao meu companheiro, informando que já descobri, onde estão, mas que a área está fechada, nosso alvo, fez questão de alugar o lugar somente para ele.
— Tem que ter ficado, ao menos uma parte, disponível para uma Cortez. Falo meu sobrenome, enquanto tomo um gole do meu drink, o garçom arregala os olhos, pede para esperar um segundo, que ele já volta, acho que acabei de arranjar a minha passagem, para dentro do camarote, só não sei se consigo levar o Grego junto.
— Pode subir, nosso chefe, conversou com o todo poderoso e ele cedeu uma parte para senhorita, seu segurança também pode subir, se quiser.
Quem disse a ele que vim de segurança? Que besteira minha, estou em todas as colunas sociais, óbvio que vou ter alguém responsável, pela minha segurança, não posso confiar em ninguém, às vezes esqueço que estou interpretando outra pessoa, para conseguir provas.
— Obrigada, você foi muito gentil, por favor, pode mandar levar outro e um copo de uísque com gelo, duas águas também.
Estou indo com calma na bebida, pois não estou aqui a lazer e sim a trabalho, preciso está bem atenta, em tudo que acontece ao meu redor.