- Eu me arrumo somente pra ele perceber que estou bem gostosa. Gostosa pra c*****o e o cara sequer me nota, apenas porque é um saradão e rico, dono daquela maldita empresa. Ah, se ele soubesse como me sinto. Mas eu vou dar a volta por cima. Esse tal de Miguel não perder por esperar.
- O que você vai fazer, amiga - Perguntou Kelly.
- Já já você descobrir.
Entro no carro e dirijo até a estação. Eu paro de frente para a empresa Viki. Miguel deve estar lá em cima, vestido naquele terno preto, xeretando os papéis de sua companhia ou lendo algum livro sobre como ser um tremendo de um filho da puta. Ele sabe que é muito bonito e me tira o sério. Ele sabe, basta apenas um telefone para que eu caia diante de seus pés, mas essa noite será diferente. Com certeza será.
Ligo para o número dele e Miguel não atende. Não é porque ele é muito ocupado, mas porque não quer atender. Tenho uma ideia rápida e mando um mensagem para o idiota dizendo que a sua avó havia sofrido um acidente perto da ponte, alguns metros de onde eu estava, do lado de fora da companhia. O desgraçado logo aparece, com aquele sorriso cínico, sem perder a compustura, mas hesita ao perceber que a mentira que eu contei poderia ser verdade. Não havia nenhum sinal em meu rosto de que eu estava mentindo.