Amélia
Saio da aula exausta, desejando minha cama e um enorme sanduíche. Mas ainda tenho compromissos, como ir ao ginecologista para mais uma análise. E isso é realmente mais importante que qualquer outra coisa nesse momento.
Meu celular vibra no bolso na minha calça, e vejo que tenho mensagens novas de Zed.
"Amor: Onde está?"
"Amor: Já saiu da sua faculdade?"
"Eu: Sim"
"Eu: Estou indo ao médico"
"Amor: Está tudo bem?"
"Eu: Sim, são só alguns exames, nada demais"
"Amor: Depois você vai está ocupada?"
"Eu: Provavelmente preciso revisar as matérias para prova de amanhã"
"Amor: Não poderia fazer isso mais tarde?"
"Amor: Tenho planos para nós hoje"
"Eu: Planos? Tipo o quê?"
"Amor: Tenho uma pequena reunião, e quero que me acompanhe"
"Eu: Como todas aquelas que eu vou e apenas observo você e os chatos de ternos conversando, junto com as mulheres deles?"
"Amor: Não gosta de me acompanhar?"
Reviro os olhos.
"Eu: Que horas quer que eu me encontre contigo?"
"Amor: Às 16 em minha casa"
"Amor: E porfavor não use uma roupa tão curta como aquela da última vez. Não pega bem"
"Eu: Não era tão curta!"
"Amor: Você entendeu."
"Amor: Estou voltando ao trabalho, te amo até mais tarde"
"Eu: Até"
Guardo meu celular de volta no bolso na minha calça, e caminho para o ponto de ônibus. Penso em que roupa usar que não faça com que Zed reclame como da última vez, e sou interrompida quando vejo o ônibus que preciso se aproximar.
(...)
- Boa tarde Amélia - o Doutor Jason diz assim que me sento de frente à ele.
- Boa tarde Doutor - sorrio.
Jason é meu ginecologista desde sempre. Minha mãe e ele são bem amigos, e foi ela que me indicou os seus serviços quando comecei a precisar. Ele tem por volta dos seus cinquenta anos, e é bem bonito, especialmente para a idade dele. Ele já me contou uma série de casos engraçados de algumas pacientes bem assanhadinhas, que me fez ri a tarde inteira.
- Como está sua mãe?
- Está tudo bem - respondo.
- Ótimo - Ele sorri para mim antes de pegar uma pasta onde contém os meus exames. Volta a se sentar, e então tira uma folha de dentro da pasta. A lê e depois olha para mim. - Acho que temos uma boa notícia.
- Nenhum problema comigo então? Ufa, pensei que todos aqueles sintomas era algo grave - digo ficando relaxada.
Jason ri.
- Nada de errado, e nada de grave, felizmente - Ele coloca a fixa sob a mesa - Eu não tenho a total certeza sobre isso, porque ainda precisamos de mais alguns exames para afirmar, porém, levando em consideração seus sintomas, e o que tenho em mãos - Jason sorri para mim aumentando a minha expectativa - você pode está grávida Amélia.
O quê?
A calmaria cai do meu rosto rapidamente, dando espaço para a tensão e surpresa. Eu fico em meu lugar sem saber como reagir, esperando que Jason diga que é uma piada, mas ele nada fala.
Não pode ser.
Eu não posso está grávida.
Ter um filho agora é inviável.
Quero dizer, levando em consideração tudo que tenho planejado...Eu não posso está.
- Amélia? - Jason chama a minha atenção estranhando minha reação, ou a falta dela.
- E-esses...exames podem está errados, não podem? - minha voz está trêmula.
- Sim, podem, por isso não é certeza. Ainda precisaremos fazer mais alguns, como o de sangue... - Jason começa a explicar, mas a minha cabeça está em outro lugar. Se for confirmado que estou esperando um filho, eu não sei como vai ser. Eu não sei o que fazer a respeito da minha faculdade, não sei como meus pais irão reagir, ou como Zed irá reagir.
Eu só tenho dezenove anos, isso não pode acontecer.
Eu não posso está grávida.
Os exames não estão certos, e provavelmente é algum erro.
Relaxo um pouco me confortando com a idéia de quê não é certeza sobre a gravidez, e logo depois Jason recolhe tudo o que precisa para fazer o exame de certeza. Ele me dá um prazo de uma semana, e então eu saio do seu consultório. Ainda atordoada com a notícia, e pela incerteza dos fatos, eu caminho até mais um ponto de ônibus. Não quero encontrar com a minha mãe ainda, ela sabia sobre minha ida ao ginecologista e provavelmente iria me encher de perguntas. Eu não gosto de mentir para ela, mas seria forçada a isso, afinal de contas não posso dizer algo assim sem ao menos ter a certeza para ela. Então eu embarco em um ônibus para ir até a casa de Zed, não falta muito para dar o horário que combinamos, e nada mais justo do quê eu contar para ele primeiro sobre tudo isso. Acho que essa notícia só cabe a Zed e eu, por enquanto.
O trajeto inteiro eu vou perdida em meus pensamentos, e fazendo planos para caso der positivo e para caso der negativo também. Isso tudo me deixa ainda mais confusa quando penso que não prestei atenção aos sintomas. Pensei que o motivo da menstruação atrasada era por qualquer outra coisa, menos gravidez.
Toco na campainha da casa dos Malik e começo a ficar nervosa. Mesmo sabendo que Zed ainda está no trabalho, eu desde já tenho medo da reação dele, afinal, ele é tão focado no trabalho, tenho certeza que isso iria o desestabilizar, e não é nada bom pensar nisso.
A porta é aberta e um Zayn com os cabelos desgrenhados, sem camisa e usando uma bermuda de moletom preta, aparece. Ele franze a testa confuso me vendo ali, e provavelmente achando estranho a minha cara de desesperada. Por alguma razão ao vê-ló, eu me sinto frágil, e deixo a carga pesada que recebi no consultório de Jason cair. m*l percebo quando me atiro para cima de Zayn, e o abraço com força. O choro me assola, e eu me aperto ainda mais contra ele enquanto desabo em lágrimas.
Sinto os braços de Zayn aos poucos me apertarem também, e ele relaxa com meu abraço repentino. Ficamos por alguns minutos parados e em silêncio, abraçados na porta da sua casa. Uma cena que em nenhum milhão de anos alguém imaginaria.
- O que está acontecendo? - Ele finalmente pergunta, mas eu soluço contra seu peito sem ser capaz de lhe dar uma resposta. - Amélia é sério, você está me assustando.
Me afasto de Zayn e olho em seu rosto enquanto enxugo minhas lágrimas com as mãos.
- Eu só preciso ficar no quarto de Zed esperando por ele - tento me manter mais firme e ignorar que eu o abracei.
- Você aparece chorando como se algo r**m estivesse acontecido, e só quer ficar no quarto do seu namoradinho o esperando? É sério? - Zayn parece irritado.
- Isso não importa para você - respondo rude e passo por ele entrando na casa.
- Importa a partir do momento que você me inunda em lágrimas - Zayn rebate nas minhas costas.
Fecho os olhos e respiro fundo.
Porfavor Zayn, agora não.
- Me desculpa por isso, não era a minha intenção - eu falo cansada enquanto subo para o quarto de Zed.
- Você está mesmo fazendo isso? - Escuto Zayn vindo atrás.
- O que?
- Me pedindo desculpas? Amélia me pedindo desculpas?
Me viro para o olhar quando paro no meio do corredor dos quartos. Zayn fica na minha frente com um sorriso bobo no rosto, que pela primeira vez não me irritou. Estou tão exausta, que tudo que quero é me deitar. Até mesmo zoar com Zayn não me parece tão divertido agora.
- Te pedi desculpas sim, foi sem sentido ter te abraçado - completo.
Zayn fica sério e me encara por alguns segundos.
- Você não está mesmo bem né? - ele conclui e eu sorrio fracamente enquanto mais lágrimas escorrem pelo meu rosto. Desta vez é Zayn que me envolve em seus braços.
É indescritível a sensação boa que sinto sendo envolvida por ele. Parece tão confortável que eu ficaria assim por tempo indeterminado. O que é a coisa mais estranho de sentir por mim com Zayn.
- Eu preciso descansar - sussurro contra sua clavícula.
- Tudo bem, eu te acompanho - Zayn diz e mesmo achando estranho, eu não reluto. Entramos no quarto de Zed, e ao tirar os meus sapatos, eu me deito em sua cama. Surpreendentemente Zayn se senta ao meu lado.
- Eu ficarei aqui, não sei o que aconteceu, muito menos como ajudar, mas estarei bem aqui ao seu lado - Zayn fala e se eu não estivesse tão desgastada e perdida com os últimos acontecimentos, eu teria o questionado o motivo da preocupação comigo. Mas fico calada e fecho as minhas pálpebras pesadas, pensando em como será a minha vida se de fato eu estiver grávida.
(...)
Acordo sentindo um peso em cima do meu corpo. Abro os meus olhos e me deparo com o braço tatuado de Zayn em cima da minha barriga. O que?
Me viro para o lado encontrando ele dormindo, o que me deixa ainda mais confusa. Me lembro do que aconteceu depois que saí do consultório de Jason, e me bato mentalmente. Acho que fui vulnerável demais, e aposto que isso fará parte das próximas piadas de Zayn. Porém, isso não explica o porquê ele dormiu ao meu lado, na cama de Zed e com seu braço em cima do meu corpo. Começo a tentar sair da cama sem acordar Zayn, mas sou interrompida assim que a porta do quarto é aberta, revelando Zed.
continua