Amélia
Deito em minha cama e enterro meu rosto no travesseiro. As palavras de Zayn não saem da minha cabeça, e isso causa um efeito até então desconhecido em meu peito. Porque razão ele torcia tanto para eu não está grávida? Torcia para infelicidade do seu irmão, ou tem sentimentos por mim? Essa última possibilidade me deixa nervosa. Mas eu sei que isso é praticamente impossível. Zayn me odeia desde o primeiro dia que entrei em sua casa, não faria sentido algum ele gostar de mim. Tudo ultimamente está tão estranho, e confuso.
Passo o resto do dia deitada, m*l me importando com meus afazeres da faculdade. Na minha cabeça só se passa como irei lidar com uma gravidez, e sobre Zayn. Nunca passei tanto tempo pensando nele como agora. E por mais que eu tente, não consigo tirar a imagem dele implorando para que eu não esteja grávida.
A campainha toca. Me levanto e vou até a porta. Minha mãe aparece apressada e entra para dentro de casa. Ela está parcialmente molhada por causa da chuva forte lá fora.
- Oi filha - ela sorri tentando enxugar seu cabelo com as próprias mãos, mas ela me observa com mais atenção e percebe que não estou bem. Me sinto nervosa com o que sua reação antes mesmo de contar sobre a suposta gravidez. Minha mãe nunca foi contra netos, ou algo assim. Mas sempre deixou claro que é tudo em seu tempo, e que meu foco deveria ser a faculdade. - Está tudo bem?
- A gente precisa conversar - digo e ela franze a testa. Caminhamos até o sofá, e nos sentamos de frente para outra. Minha mãe aguarda paciente até eu a explicar tudo que aconteceu. Desde minha visita ao ginecologista, até a reação de Zed. Obviamente eu não contei sobre Zayn, até porque acredito que isso tenha que ficar apenas entre nós, ainda mais levando em consideração que ele não sabe que eu o ouvi.
Minha mãe fica parada pensativa por alguns instantes, o que prolonga a minha agonia.
- Bom, é tudo uma suspeita por enquanto certo? então não tenho muito o que te falar - ela sorri de leve - claro que eu não gostaria que você tivesse um filho agora, mas se estiver mesmo grávida...Ele será bem vindo - ela finaliza de forma empática como sempre.
Sorrio e abraço a minha mãe.
- Se eu for uma mãe com um por cento do que você é, serei muito feliz - assumo e minha mãe me aperta contra si, gostando da resposta.
(...)
- Quando você vai receber a resposta? - Zed pergunta enquanto estamos abraçados em sua cama.
- Amanhã eu já posso buscar o exame - respondo fazendo círculos imaginários em seu peito coberto pela fina camisa.
- Pode não o abrir sozinha? Quero saber a resposta junto contigo - Ele pede e eu assinto.
Estou calada desde que cheguei em sua casa, já que não consigo parar de pensar em Zayn, e que a todo instante posso me esbarrar com ele. Tudo em mim mudou em relação a ele desde o dia em que o peguei não desejando ser tio. Eu não sei quais tipo de sentimentos tenho por ele agora, mas sei que são bem diferentes de quando sentia raiva e o achava insuportável. O que é estranho, até porque só aprendi a gostar dele assim, e agora que não sinto, é como se ele fosse outra pessoa e não o Zayn.
- Amélia? - Zed me chama tirando meus pensamentos perdidos de seu irmão.
- Hum? - Olho para ele.
- O que você acha? - Ele questiona como se já tivesse perguntado isso antes.
- Humm, me desculpa eu estava distraída não prestei atenção no que você falou - explico e Zed revira os olhos.
- Estava dizendo sobre nomes para o bebê, se caso for menina ou menino.
Uau ele está mesmo animado em ser pai!
- E já tem um preferido? - Questiono fingindo entusiasmo. O fato é que eu não me sinto tão feliz como Zed está. Ter filho nunca foi uma meta para mim, e agora que estou em uma linha arriscada, não sei como me sentir em relação á isso.
Zed começa a falar inúmeros nomes, e eu fingo que me importo. Passamos quase vinte minutos dessa forma, até ele voltar a ser o Zed de sempre, e após vestir seu terno ele me deixa sozinha em sua casa e vai para a empresa. É estranho eu ficar mais tempo na casa dos Malik, do que na minha própria casa. Mas eu já me acostumei tanto a esperar Zed voltar da empresa para ficarmos um tempo juntos, que se tornou a minha rotina. Além disso, eu amo está em um lugar em que eu não esteja sozinha. Aqui tenho amizade com os empregados e amo perturbar o Zayn, se bem que a última opção agora é inviável.
- Zed eu preciso... - Zayn abre a porta do quarto de Zed e se cala assim que me vê deitada na cama com uma apostila da faculdade. Eu olho para ele e meu coração parece uma bateria ultra carregada, batendo tão rápido que meus ouvidos sentem as vibrações - Ah, você está aqui - ele finge desgosto em me ver, mas agora parece mais atuação, e uma atuação bem r**m - Zed já foi para a empresa?
- Sim - respondo curta e...nervosa?
- Ótimo - Zayn responde e vai até o closet do irmão. Volto com minha atenção para a apostila querendo fugir dessa reação estranha do meu corpo, e com meu marcador eu passo sobre as partes que acho importantes. - Então...já tem a resposta sobre sua gravidez? - Zayn grita do closet e eu disfarço um sorriso que quer abrir em meu rosto.
- Ainda não - respondo.
Zayn fica calado e minutos depois volta do closet de Zed vestido um dos seus ternos. Minha boca fica seca quando o vejo. Ele está praticamente idêntico ao Zed se não fosse pelas tatuagens saindo pelas suas mãos, e isso por alguma razão me faz tremer. Me sento na cama, e observo Zayn extremamente quente na minha frente. Ele percebe o efeito que me causou, e sorri.
- Perfeito hein? - diz ficando de frente ao enorme espelho da parede.
Zayn por ser mais forte que Zed, coube perfeitamente dentro do terno, ainda mais do que o dono dele. Eu não sei o porquê, mas sinto um calor ainda maior entre minhas pernas quando Zayn desabotoa um dos botões do paletó, sem tirar os olhos de mim através do espelho. Ele parece querer provocar, e está conseguindo. Mas eu fingo que não e abaixo a cabeça de volta para minha apostila, mesmo que agora não tenho mais foco algum para estudar.
- Você acha que fiquei bem? Preciso está formal para hoje a noite - ele diz.
- Está melhor do quê você é normalmente - eu respondo sem desviar o meu sarcasmo, nem a minha atenção da minha apostila. Zayn ri e no instante seguinte está a minha frente na cama. Seu corpo se inclina para o meu, e ele apoia uma das mãos no colchão para se equilibrar. Atrevidamente com seu indicador em meu queixo, ele ergue minha cabeça me obrigando a olhar em seus olhos. Propositalmente seu rosto se aproxima perigosamente do meu, e eu me esqueço de como respirar.
Seus olhos escuros se mantém presos aos meus. Não tenho reação alguma para isso, a não ser ficar o olhando hipnotizada. Ele parece saber o que causa em mim, e isso de alguma forma me irrita.
- Eu sei que meu estilo te agrada Amélia - ele murmura - E sei que agora você deve está imaginando como deve ser incrível t*****r comigo, ainda mais depois de ver que fico irresistívelmente sexy nesse terno - finaliza e segundos depois de silêncio ele solta meu queixo. Mantenho minha cabeça erguida o observando enquanto ele se afasta e com um sorriso convencido deixa o quarto. Estou surpresa e incrédula com a cara descarada de Zayn em fazer algo assim. Mas ao mesmo tempo me odeio por meu corpo reagir à ele.
Tudo em mim está em chamas como se tivesse passado um tempo enorme exposta ao sol. O interior das minhas pernas lateja mostrando que estou excitada, e eu me sinto suja por isso. Ficar excitada por causa do irmão do meu namorado, por causa de Zayn, me parece abominável demais. Mas ao mesmo tempo eu não consigo parar de lembrar dos seus olhos presos aos meus, muito menos esquecer da sua voz rouca em meus ouvidos.
- p***a! - Murmuro e deito de costas na cama jogando a apostila em meu rosto. - Te odeio Zayn.
(...)
Passo a tarde quase inteira tentando estudar, mas a minha cabeça não consegue pensar nada além de Zayn. Dos seus olhos escuros. Dos seus lábios vermelhos. Ou do seu rosto perfeitamente sexy. Como pode ele ser tão parecido com Zed, mas ao mesmo tempo tão diferente?
Cansada de tentar estudar em vão, eu saio do quarto e desço para a cozinha. Encontro Tina organizando algumas louças e sorrio para ela antes de me sentar na cadeira alta de frente para o balcão.
- Como está Amélia? - Tina me pergunta.
- Estou ótima e você?
- Bem - ela é simpática.
Escuto Zayn gritando na sala e reviro os olhos. Tina ri.
- Vocês realmente não se dão bem né? - Ela observa.
- Nunca - respondo.
Tina guarda alguns pratos na prateleira, antes de se virar para mim:
- Existe uma lenda que diz que quando duas pessoas não se dão bem, ou elas são almas gêmeas, ou elas são inimigas mortais - Tina comenta.
- Bom, então Zayn é o meu inimigo mortal - falo e Tina ri balançando negativamente com a cabeça.
- Posso te contar algo que nunca falei? - ela pede e eu assinto - Quando veio até aqui pela primeira vez, eu pensei que você fosse a namorada de Zayn e não de Zed.
Franzo a minha testa confusa, e Tina continua:
- Ele estava nervoso antes de você chegar, vocês se conheciam antes?
- Estudamos na mesma sala durante anos - respondo lentamente tentando entender o motivo para deixar Zayn nervoso por causa da minha presença.
- Ah, isso explica então o comportamento dele - Tina fala e volta a guardar os outros utensílios como se não tivesse me dito nada demais.
Minha cabeça está rodando. Zayn Malik nervoso antes da minha primeira vez conhecendo seus pais? Por que? Em nossa turma ele sempre foi imparcial. Apesar de ter qualquer garota aos pés, ele parecia não se importar com isso e se comportava de forma normal. Depois que comecei a namorar Zed, ele se tornou essa pessoa sarcástica e irritante. Nunca soube o porquê dessa sua mudança.
Levanto da cadeira e caminho para a sala. Me apoio no batente do vão que tem entre a sala e a cozinha, e observo Zayn. Ele está focado jogando video game. O joystick se move de maneira tão rápida que m*l consigo acompanhar seus movimentos. Zayn não está usando mais o terno, mas isso não alivia a barra para mim, já que ele está sem camisa e apenas de calça moletom. Eu não sei o que está acontecendo comigo, de repente ele se tornou tão atraente, como se o Zayn da semana passada tivesse sido substituído por esse, ou talvez eu que tenha sido substituída.
- Vai ficar me encarando por quanto tempo? - Zayn pergunta antes de pausar o jogo e se virar para me olhar.
Reviro os olhos.
- Não sabia que era proibido te olhar agora - rebato. Caminho até o sofá e me sento ao lado de Zayn, porém na extremidade para me manter afastada dele.
Zayn me olha por alguns instantes antes de ri.
- Quer jogar? - Convida.
- O que? - Pergunto surpresa. Zayn nunca me chamou para jogar com ele, sempre dizia que me odiava o suficiente para não não me deixar ficar perto do seu valioso vídeo-game.
- Não tem ninguém aqui para jogar comigo, só me restou você - volta com seu tom desdém.
Meu sorriso surpreso estampa meu rosto, o que parece irritar Zayn.
- Vai ou não? - Questiona sério.
- Zed me fala que esses jogos não fazem bem - reluto.
Zayn ri.
- Zed é médico desde quando? - Ergue uma sobrancelha - ou melhor: Ele por acaso é seu pai?
Zayn já deixou mais do que claro o quanto odeia o fato de Zed ser duro com nosso namoro, principalmente por pensar que manda em mim. Mas eu não acredito que ele mande, é apenas o seu jeito de ser, e eu não vejo problema nenhum.
- Ok, vamos - cedo e vejo Zayn sorri convencido antes de reiniciar o jogo, agora para dois jogadores.
Estamos jogando há tanto tempo que eu não tenho noção do quanto. Pela primeira vez me sinto despreocupada nessa semana com tantas coisas acontecendo. Zayn me surpreendeu por ser um bom parceiro de jogo, sem contar no fato de que pela primeira vez em anos passamos tempo demais juntos sem nos ofender. Penso que se ele fosse sempre assim, seria suportável.
- E ganhei! - Comemoro antes de pular com o joystick na mão. Zayn revira os olhos bufando.
- Isso é marmelada - reclama.
- Marmelada? Não aguenta perder hum? - Brinco e no segundo seguinte Zayn me puxa pelas pernas, o que me faz cair no chão. Ele gargalha e sobe em cima do meu corpo para tomar o joystick da minha mão, porém sou mais rápida e afasto o meu braço o tanto que consigo para tirar do seu alcance. Quando Zayn finalmente desiste de me tirar, eu rio convencida por mais uma vitória. Ele ainda está em cima do meu corpo, e agora percebo que seu rosto está perigosamente perto do meu.
O meu sorriso vai se desmanchando conforme eu observo o rosto de Zayn. Ele parece hipnotizado olhando em meus lábios, e isso me causa calafrios incontroláveis. Sinto suas mãos quentes e macias se posicionarem em minha cintura, e mais arrepios me percorrem. O perfume amadeirado de Zayn me deixa anestesiada, e com vontade em agarrar seu corpo para sentir um pouco mais do seu cheiro. Uma parte do meu cérebro está torcendo para suas mãos me tocarem em todo canto, mas ele continua com elas em minha cintura, o que meu corpo sente como tortura.
Ficamos em silêncio por longos minutos, tento adivinhar o que se passa na cabeça de Zayn, mas seus olhos escuros são difíceis demais de serem desvendados. E quando ele desvia seu olhar dos meus lábios para os meus olhos, eu me estremeço como estremeci no quarto de Zed.
É indescritível a forma como meu corpo e mente reage com Zayn tão perto assim do meu corpo. Sentir seu calor, sua respiração, seu toque, seu cheiro...Me afeta de forma que eu sei que não deveria, mas não posso negar que sinto.
Zayn passa a língua lentamente entre os lábios antes de sussurrar:
- Eu quero te beijar.
Meu corpo explode.
Suas palavras me inundam em chamas.
Minha boca seca em pensar em seus lábios juntos com os meus.
E por um minuto eu não penso em nada além do beijo de Zayn.
Eu estou entregue agora, e sem qualquer barreira que me faça voltar atrás.
Se ele me beijar, eu irei retribuir, e eu quero retribuir.
- Perdeu - Zayn fala inesperadamente e sinto o joystick sendo tirado da minha mão. Ele se levanta de cima do meu corpo e eu pisco tentando entender o que acabou de acontecer.
Então ele não queria me beijar, só queria tirar o controle da minha mão. Foi tudo uma atuação. Mais uma dele. Me sinto i****a e rapidamente me levanto.
- Ei, onde vai? - Zayn me chama quando eu estou subindo as escadas, mas eu não respondo. Me sinto i****a em cair em seu joguinho, e principalmente brava por ele brincar dessa forma. Não é justo eu me sentir assim sempre que entro em contato com ele.
É o Zayn! Não é certo, muito menos normal!
Mas por quê eu me sinto tão atraída por ele? Por quê meu corpo reage ao seu toque? Por quê me sinto tão triste por ele não me beijar? Por quê?
Pego meus materiais da faculdade de cima da cama de Zed, calço meus sapatos e desço para ir embora. Não posso continuar nessa casa, não sozinha com Zayn. Não com esses pensamentos. Não com meu corpo querendo se atirar contra ele. Isso é insano.
- Ei, ei - Zayn me vê chegando até a porta - Para onde vai? Não vai esperar o Zed? O papai do ano vai odiar chegar e você não estar aqui como ele ordena - Pergunta e eu penso em apenas sair sem o responder, mas eu me viro para olhar Zayn. Engolindo minha raiva em o xingar, ou minha vontade em me jogar contra ele e o beijar, eu digo:
- Já tem essa certeza que eu serei mãe? Deus não ouviu a sua oração? - Rebato e vejo o sorriso sarcástico de Zayn se desmanchar imediatamente. Seu rosto está pálido, parecendo que viu um fantasma.
- Você... - antes que ele termine de falar, eu saio de sua casa para ir finalmente embora.
Continua