UPP

1140 Words
Roberto _A UPP será ativada amanhã Roberto, você estará no comando._disse o Sargento Mauro. _Certo, Sargento, muito obrigado pela oportunidade. Eu era policial há 12 anos, já havia lidado com todo tipo de gente, estava acostumado.Minha filha, Luana, tinha costume de me chamar de herói, não sei se eu era, mas me esforçava para ser o melhor pai para ela, pelo menos. Saí do mercado com o chocolate Branco nas mãos que uma desconhecida, muito interessante por sinal havia me ajudado a escolher para minha filha.Alexa era o nome dela, parecia bem jovem mas era linda demais. _Tu tem que se controlar com essas novinhas, Roberto.Não pode ver uma que já fica pirado.Tua esposa ainda vai te matar._brincou Carlos, meu parceiro de trabalho. _Pior que você tá certo, Carlos.Mas você tinha que ver, essa era tão diferente, tinha uma cara de safada, me deu vontade de agarrar ela ali mesmo dentro do mercado!Sabe que eu amo a Suzana, minha familia é tudo pra mim mas umas escapadas de vez em quando nao custam nada._falei enquanto entrava no carro da polícia e esperava Carlos entrar no carona. _Essas são as piores meu amigo, sai fora disso!Vamos la conhecer a nova UPP, meus parabéns, to sabendo que vai estar no comando. _Valeu, finalmente vou ter algum reconhecimento, esperei tanto por isso. _Mas você sabe que aquele Morro tá f**a né?As ordens são cuidar so da parte debaixo, no topo o tráfico tomou conta e o Sargento não quer guerra por enquanto._disse Carlos. _Tô sabendo por alto, o que está rolando la?Guerra de facção? Vou ter que ficar ciente de tudo agora. _Fiquei sabendo que tentaram matar o dono e agora tem mais alguém comandando junto com ele, disseram que é uma mulher mas sabe como esse povo inventa.Não sei se é verdade. _Não deve ser, sabe como é difícil mulher se meter nessas paradas né. Ao chegarmos, os moradores espantados ja se esconderam dentro de casa e os mais curiosos sentaram no portão. A UPP era relativamente pequena, ficava no pé do Morro e era mais como uma cabine de comando, no fundo todos sabiam que ela não servia de muita coisa, era mais um alívio visual do que qualquer outra coisa até porque fazer o tráfico parar de atuar era praticamente impossível nos dias de hoje. _Hoje é dia de baile lá no Alto, a noite vai ser longa._disse Carlos fechando a porta da cabine. _Pode ir descansar hoje Carlos, eu passo a noite aqui.É bom que vou conhecendo o lugar. _Mas você não tem medo de ficar sozinho aqui?É a primeira noite com ela instalada. _Já to mais do que acostumado com esse tipo de coisas, pode ficar tranquilo. Vai pra casa em paz._Eu disse vendo que já escurecia pela fresta da janela quadrada. Carlos foi para casa e eu fiquei de dentro da unidade, vendo a movimentação do Morro enquanto tomava um café.O Chapéu mangueira era um Morro tranquilo comparado com os outros, quase não tinham notícias de mortes ou guerras de facções por ali então eu sabia que provavelmente seriam eles no canto deles e eu no meu, cumprindo meus horários. A noite passou e o som alto do baile ecoava pelo bairro e os jovens empolgados já subiam o Morro.Eu com meus 35 anos e com tudo que ja tinha visto sabia que eles sairiam dali so pela manhã e completamente drogados e bêbados, nao recriminava mas não era a minha praia, definitivamente. Eram mais ou menos três da manhã quando vi duas mulheres descendo o Morro, ou melhor dizendo, uma mulher arrastando a outra pelo cabelo.A que era arrastada não gritava, mas tentava se desvencilhar das mãos da outra que muito bem arrumada num belo vestido vermelho, aparentemente estava com muito ódio. _Tu não vai aparecer aqui nunca mais, ta me ouvindo?Senão eu mesma me encarrego de te matar._Disse a mulher gritando, sem dar a mínima importância para a UPP logo ali. _Me desculpa, so me deixa ir embora sua vagabunda.Me solta!_gritou a menina, se debatendo. Me vi na obrigação de ir la fora tentar ajudar ou pelo menos separar as duas, eu não podia ficar ali so olhando.Ao sair da cabine, me aproximei com cuidado. _Com licença, moça.Posso saber o que está havendo? _Some daqui, filha da puta.Vai!_gritou a mulher de vermelho, deixando a outra que na oportunidade, saiu correndo. _A senhora está bem?_Perguntei e ela virou.Estava aparentemente meio bêbada ou drogada talvez, mas era ela.Incrivelmente linda naquele vestido vermelho com seus cabelos de índia caídos,a Alexa do mercado. Eu a reconheceria até se fosse cego. _Sim...você é o carinha do mercado não é?_Disse ela rindo sozinha. _Sim, Alexa né? Que coincidência!Você precisa de ajuda? _Nossa que péssima forma de me reencontrar, haha.Acho que quem precisava de ajuda eu já coloquei pra correr._Ela ria, claramente bêbada.Se apoiou na cabine e chegou perto de mim. _Sua filha gostou do chocolate, afinal? _Não verdade, ainda não tive oportunidade de entregar. Mas eu tenho certeza que ela vai amar._Eu disse enquanto a olhava, ela estava muito perto. _Que bom, Sr. Policial.Acho que é melhor eu voltar para o meu baile._Ela disse falando tão perto do meu rosto que só faltava uns centímetros para beija-la. _Espera, não vai me contar porque desceu arrastando aquela coitada? _Porque é isso que eu faço agora com quem se mete no meu caminho, moço. _Quem é você, menina...?_perguntei passando a mão em seu rosto, ela já tinha me feito perder o foco do trabalho. _Seu pior pesadelo,Sr. Policial._Ela disse descendo suas mãos e segurando meu pênis rapidamente antes de se virar e subir o Morro com aquele vestido vermelho marcado. Entrei para a cabine e voltei para o meu posto puto e louco de t***o por aquela garota.Como ela podia? Tudo o que ela falava tinha um tom de certeza e de poder que eu nunca tinha visto em mulher nenhuma.Abaixei a calça e me aliviei, era o que podia fazer já que aquela ninfeta havia me deixado daquele jeito.Mas eu ainda iria ter a oportunidade, eu daria um jeito. _Bom dia, Roberto.Como foi a noite, tranquila? _Perguntou Carlos ao chegar no dia seguinte. _Se eu te contar, você nem acredita...Sabe a Alexa que te falei? _Ainda essa garota, você só fala disso! _É aí que ta, ela mora aqui nesse Morro. _Agora mesmo que você não vai querer nem voltar pra casa._riu Carlos. _Também não é pra tanto, meu amigo, estou indo.Mas que eu ainda pego ela isso eu pego. _Eu disse pegando minhas coisas para ir pra casa, finalmente. _Você está é doido! Ao chegar no apartamento, minha filha logo veio me receber como ela sempre fazia. _Senti sua falta, papai! _Eu também querida.Trouxe algo que acho que você gosta._Disse tirando o chocolate da bolsa. _É meu chocolate preferido, papai.Como adivinhou?_perguntou ela, feliz. _Humm, recebi uma ajudinha de alguém._Eu respondi sorrindo.
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