3. Como uma droga

1679 Words
Tomo você como uma droga, provo você na minha língua. Daddy Issues, The Neighbourhood Devaneio. Considerado um estado de fantasia, resultado da divagação, da imaginação, das lembranças ou dos sonhos, quando o mundo real se confunde com a imaginação ou com os desejos profundos. Sinto minhas bochechas coçarem, algo molhado me toca, é suave e estranho. Eu coço e tento dormir novamente, penso que é apenas coisa da minha cabeça, porém aquilo continua, então o medo me atinge. Parece uma... língua? Que droga está acontecendo? Meus olhos estão pesados, estou com dificuldade de abri-los, mas quando o faço, me deparo com uma fresta de luz diretamente no meu rosto, então os fecho novamente e tento os abrir mais lentamente dessa vez, tentando lidar melhor com a claridade e com algo melado que agora insistia em lamber meus lábios. É quando noto que era apenas um cachorrinho. Por que eu estava com medo? Ele é minúsculo, lindo, fofo e indefeso. Talvez por que eu não tivesse um cachorro? Meu Deus, o que raios aconteceu? Sinto cansaço ainda, é como se um trator tivesse me esmagado, quero e necessito dormir mais. Puxo o lençol que cobre o meu corpo para também cobrir a minha cabeça, na tentativa de fugir daquelas lambidas carinhosas, mas não demorou para que o tecido fosse puxado de volta. Odeio ser acordada e odeio mais ainda dormir sem coberta. Essas duas coisas é a junção perfeita para uma Lailah m*l humorada pra c*****o. O dia inteiro. E nenhum cachorrinho fofinho seria capaz de salvar isso. — Costela, sai dai. Deixa a visita em paz. Costela? Visita? Tateeio a cama em busca de achar minha dignidade, entretanto o que eu acho de longe se resume basicamente em: um ser humano com um peitoral semi musculoso. Que merda é essa? Abro os olhos rapidamente, mas não tenho coragem de me virar na direção em que a pessoa desconhecida está, sinto medo do que vou me deparar. Durmo geralmente de bruços e com um lado do rosto enterrado colchão, me preocupo em primeiro lugar em observar o ambiente na minha frente com mais clareza. Existe uma janela pequena por onde a luz estava entrando, um cachorro fofinho que estava pulando em cima de mim agora, mas não é nenhum desses dois motivos que me incomoda e sim o fato de absolutamente não ser o meu quarto e não ser meu cachorro. Tento resgatar na minha memória resquícios do que aconteceu, mas não lembro de absolutamente de nada. Sugo uma grande corrente de ar, conto de um até três, criando forças para lidar com mais uma merda que com certeza eu fiz e fiz da pior maneira. Então, estando pronta ou não, eu me viro. E p**a que pariu. Puta-que-pariu. Pulando da cama e me colocando de pé, tento entender o que diabos eu fiz para vir parar na cama desse cara que nem sequer eu sei o nome e a única coisa que eu lembro é de... Quase nada. O que aconteceu exatamente ontem? E se eu... — Pode me devolver o lençol? De repente sou traga de volta pela sua voz rouca de sono do pânico dos meus pensamentos até aquele quarto. Seus olhos estão inchados e entreabertos, ele me analisa notoriamente muito sonolento, depois bufando, passa as mãos pelos fios de cabelos assanhados, os deixando mais ainda desalinhados. Estranhamente eu acho essa imagem bonita e não, eu não gosto nada disso. — Ei? O lençol. — Ele torna a falar apontando pro tecido nas minhas mãos, apoiando o seu tronco com os dois cotovelos na cama, forçando um pouco mais os seus músculos na parte do abdome, deixando bem aparente os seus gominhos, ao mesmo tempo que me fita curioso — Vai ficar muito tempo me olhando? Se eu estivesse em estado normal responderia a altura aquele tom meio azedo que tinha na sua voz, mas como eu ainda estou processando o que aconteceu, a única coisa que consigo fazer é piscar centenas de vezes em um segundo, porque é isso que faço quando fico nervosa. Meus olhos conseguem sair dos seus, finalmente por um instante, somente para poder varrer o restante do seu corpo e só então consigo compreender o que ele perguntava. Um lençol. Nas minhas mãos. Uma camisa masculina no meu corpo. Apenas uma boxer no dele. — Que p***a aconteceu!? Eu não queria fazer essa pergunta em forma de grito, mas simplesmente saiu e não me sinto m*l por isso. Vejo um vinco se formar no seu rosto, sua feição mostra que ele tenta ver veracidade em mim, até suspender uma das suas sobrancelhas, como se aquilo tudo não passasse de uma grande brincadeira da minha parte. — Eu e você... — Começo a falar, então a frase morre no meio do caminho. — Eu não lembro de nada. De novo não, de novo não! Era unicamente isso que a minha mente gritava. — Nada mesmo? — Seus olhos estão semicerrados, sua voz é banhada de dúvida. Então ele se levanta do colchão, pega o Costela no colo, abre mais a janela, afim de que a luz iluminasse mais ainda a minha vergonha, e não dá a mínima pra isso. Bem, é uma cena linda, confesso, todas as tatuagens e aqueles malditos olhos cinzentos, mas estou apavorada e não dá e nem quero fingir que está tudo bem. — Porque caralhos eu iria me fazer de desentendida? — Quando noto já estou gritando de novo. Dou passos fundos até ele e o encaro de cima pra baixo. Ele não parece se amuar com aquilo. — Você pode simplesmente dizer como eu vim parar na sua cama!? — Aproximei meu rosto do seu. Seus olhos piscaram e depois analisaram mais uma vez cada linha de expressão do meu rosto. — Como imaginei. — Escuto ele estalar os lábios, simulando estar abalado demais por mim. Mas eu sei que aquilo era pura ironia Me pego imaginando quão prazeroso seria lhe causar uma asfixia com as minhas duas mãos... — Você estava chapada demais pra lembrar. Chapada? Não lembro muito bem disso, mas ao falar agora, eu apenas lembro de duas doses, depois uma garrafa inteira e... droga. Começo a acreditar que é verdade, tão verdade que faz o medo aflorar em cada centímetro do meu corpo. Como eu posso ter sido tão burra? — Olha aqui... — começo a elaborar uma ameaça, mas falho miseravelmente por não lembrar seu nome. Lailah, não acredito que dormiu com alguém que não sabe o nome! — Se tiver encostado um dedo em mim, eu juro, que te mato! Eu não sei até que ponto tudo foi real ou apenas foi um delírio da minha cabeça. Isso me assusta. O efeito da bebida me assusta. Mas nada disso é grande o bastante para ser comparado com a minha dependência ao álcool e todas as merdas que tenho vontade de fazer e usar depois de ingerir ele. Ah... Isso sim é tenebroso. — Eu não me aproveitei de você. — Sua voz sai seca, tive a impressão de o ofender com o que eu disse, porém eu não o conheço e nem consigo decifrar o que os seus olhos me dizem, mas sinto, no fundo da minha mente que ele está falando sério. — Jamais faria isso com uma garota no estado em que você estava. Engulo a seco e recuo o meu rosto que antes estava perto do seu para um pouco mais distante. Dou um passo pra trás, quando ele levanta e dá dois passos na minha direção. — E você deveria me agradecer por ainda estar viva, garota. — O meu sangue dá uma fervida ao ser chamada assim ao mesmo tempo que um alívio enorme inunda meu peito ao saber que nada entrou em mim enquanto estava inconsciente. — Você bebeu todas, uma garrafa e depois mais outra. p***a garota! — ele faz uma pequena pausa, como se estivesse realmente surpreso. — Você bebe mais do que eu. Dei de ombros sabendo que, terrivelmente, aquilo tinha grandes chances de der verdade. — Então eu bebi até cair? Reviro os olhos, me questionando como e o porquê de eu estar vestida com uma camiseta do nirvana? É impossível não notar o cheiro forte de perfume masculino no tecido, tem notas doces que se misturam com madeira, é bom e me faz querer levar meu nariz até o seu pescoço para tragar mais dessa fragrância, mas me obrigo a chutar esses pensamentos da minha cabeça e me concentrar no momento agora. — Na verdade teve mais coisas... — e ai tenho a certeza que devo ter feito muita besteira — Lailah, eu tentei te parar, mas você é impossível. Depois de secar a garrafa, você bebeu mais, e mais e mais Enquanto escuto sua voz explicar, minha mente viaja pra longe, lembrando de como eu mesma acabei comigo, bebendo todas e misturando qualquer líquido que tivesse álcool, até chegar no momento que mostra todos os resquícios do meu lado obscuro. — Então você foi ao banheiro, só que você demorou pra c*****o, imaginei que você estava vomitando, mas ai se passou mais minutos, imaginei que você tinha desmaiado, você poderia estar triplamente pior, a coisa já tinha saído do controle. Então achei melhor ir ver o que rolou. — sinto meu estômago embrulhar e a minha cabeça doer só de lembrar, na verdade, não lembrar especificamente desse momento, apesar de que, eu sei muito bem a merda que fiz. Toquei minha testa, sentindo um sentimento horrível de culpa me invadiu, na noite em que fui expulsa do convento, eu peguei uma boa dose de entorpecentes com o Luís. O plano era: usar em ultimo caso. Eu juro que estava tentando evitar esse tipo de coisa, mas a verdade é que eu não conseguia me controlar a esse ponto, sempre em qualquer pico de estresse, me levava a isso e mais outras diversas coisas que servissem como válvula de escape. — Você teve uma overdose, Lailah. N/A NOTAS DA AUTORA: Não usem drogas, tá? Apenas isso que tenho a pedir.
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