O vento da montanha soprava forte naquela manhã.
Clara acordou cedo, como já estava se acostumando a fazer desde que começou a viver no corpo de Góvia. O ar frio entrava pela entrada da caverna, trazendo o cheiro da floresta úmida e das pedras aquecidas pelo sol nascente.
Ela saiu da caverna e caminhou até o lago.
A água refletia seu rosto.
Ainda era o mesmo rosto grande, com pele áspera e manchas escuras, mas algumas partes já pareciam ligeiramente melhores. O sistema não mentia.
— Vai levar tempo… — murmurou ela.
Depois de lavar o rosto, voltou para perto do fogão de pedra.
Ainda havia carne do bisão que haviam preparado no dia anterior. Ela começou a cortar pedaços mais finos para secar ao sol.
— Se eu deixar secar, dura mais tempo… — pensou em voz baixa.
Enquanto trabalhava, o vento começou a soprar mais forte.
As árvores da floresta próxima balançaram.
As folhas farfalharam.
Clara franziu a testa.
Algo parecia estranho.
Então uma voz preguiçosa surgiu atrás dela.
— Interessante…
Clara virou o corpo imediatamente.
Sentado tranquilamente sobre uma pedra estava um homem que ela nunca tinha visto antes.
Cabelos prateados bagunçados.
Olhos azul brilhante como relâmpagos.
E um sorriso cheio de diversão.
— Então você realmente sabe cozinhar.
Clara cruzou os braços.
— Quem é você?
O homem inclinou a cabeça.
— Que pergunta c***l.
Ele se levantou da pedra com movimentos leves, quase como se o vento o carregasse.
— Eu sou Kael.
Os olhos de Clara se estreitaram.
— O lobo.
Ele sorriu mais ainda.
— E você… é uma ogra muito diferente da que eu conhecia.