O vento da manhã era frio nas montanhas.
Clara já estava acostumada a acordar cedo desde que começou sua nova vida no corpo de Góvia. O sol ainda estava surgindo por trás das rochas altas quando ela saiu da caverna, carregando um pequeno cesto improvisado feito com galhos e cipós.
Ela havia decidido explorar um pouco mais a área próxima da floresta.
— Se eu quiser melhorar esse corpo… preciso encontrar plantas melhores — murmurou.
A terra ainda estava úmida do sereno da noite.
Enquanto caminhava devagar entre as árvores, seus olhos analisavam tudo com atenção. Seu conhecimento de ervas e botânica ainda estava muito vivo em sua mente.
Logo encontrou algo interessante.
Um pequeno grupo de plantas de folhas largas com manchas azuladas.
Clara se ajoelhou.
— Isso… parece uma erva anti-inflamatória.
Ela arrancou algumas folhas cuidadosamente.
— Pode ajudar com as toxinas…
De repente, uma voz divertida surgiu atrás dela.
— Você fala sozinha com plantas?
Clara fechou os olhos por um segundo.
— De novo não…
Ela virou o corpo lentamente.
Encostado em um tronco de árvore estava Kael, com os braços cruzados e o mesmo sorriso provocador de sempre.
— Você me seguiu?
Clara respondeu com calma:
— Eu moro aqui.
Kael deu de ombros.
— A floresta também é meu território.
Ele caminhou até mais perto, observando as plantas na mão dela.
— O que é isso?
— Ervas.
— Para quê?
— Para curar venenos.
Kael levantou uma sobrancelha.
— Então você sabe que está envenenada.
Clara ficou em silêncio por um momento.
— Eu suspeito.
Kael olhou para ela com mais interesse.
— Agora isso ficou mais interessante…