Na manhã seguinte, Clara acordou com um barulho pesado vindo da entrada da caverna.
THUMP.
Algo grande caiu no chão.
Ela abriu os olhos lentamente.
— Já começou o barulho…
Quando saiu da caverna, viu um enorme javali selvagem jogado no chão.
E ao lado dele estava Dargan, com os braços cruzados.
— Trouxe caça.
Clara levantou uma sobrancelha.
— Eu estou vendo.
— Faça aquilo de ontem.
— Aquilo o quê?
— A comida.
Clara cruzou os braços também.
— Você quer dizer cozinhar?
Dargan assentiu.
— Isso.
Ela caminhou até o javali e analisou o animal.
A carne era fresca.
Boa qualidade.
Ela sabia que poderia fazer algo incrível com aquilo.
Mas havia um problema.
Clara virou para ele.
— Eu não sou sua cozinheira.
Dargan franziu o cenho.
— Você é minha esposa.
— Uma de cinco — respondeu ela sem hesitar.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Ela continuou:
— Se eu cozinhar, é porque eu quero, não porque você mandou.
Dargan ficou olhando para ela.
Aquilo era… diferente.
A antiga Góvia implorava atenção.
Gritava.
Chorava.
Mas aquela… estava impondo limites.
Por fim, Clara suspirou.
— Mas já que você trouxe carne fresca…
Ela pegou o javali.
— Eu vou cozinhar.
Dargan tentou esconder, mas um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.