O sol ainda estava baixo quando Dargan e Kael começaram a descer a trilha da montanha.
A estrada que levava até a cidade serpenteava entre rochas gigantes e árvores antigas. Era um caminho usado há gerações pelos guerreiros da tribo.
Dargan caminhava à frente, com passos firmes.
Kael vinha logo atrás, com as mãos atrás da cabeça, observando o céu.
— Ainda acho estranho — disse Kael.
— Uma ogra pedindo sementes.
Dargan respondeu sem olhar para trás.
— Você comeu três tigelas da comida dela ontem.
Kael abriu um sorriso.
— Isso não muda o fato de que agora estamos indo comprar… plantas.
Dargan apenas bufou.
Depois de quase duas horas de caminhada, as muralhas naturais da cidade finalmente apareceram.
A cidade das bestas era construída entre enormes formações rochosas. Cavernas esculpidas na pedra serviam como casas e fortalezas.
Pontes de madeira ligavam algumas áreas mais altas.
O lugar era movimentado.
Havia lobos gigantes, tigres bestiais, ursos guerreiros, e até alguns tritões comerciantes que vinham do grande lago ao norte.
Kael esticou os braços.
— Ah… civilização.
Dargan não parecia impressionado.
— Vamos comprar o que ela pediu e ir embora.
Eles entraram no mercado principal.
Barracas estavam espalhadas por toda parte.
Havia vendedores de armas, peles, ervas medicinais e alimentos secos.
O cheiro de especiarias e carne assada se misturava no ar.
Kael parou diante de um mercador de sementes.
— Ei, velho.
O comerciante, um homem-raposa de pelos avermelhados, levantou os olhos.
— O que procuram?
Kael puxou um pequeno saco de moedas.
— Sementes.
O mercador inclinou a cabeça.
— Que tipo?
Dargan respondeu:
— Trigo.
Kael completou:
— Arroz.
— Tomate.
— Cebola.
— E agrião.
O mercador pareceu surpreso.
— Isso é para uma plantação grande.
Dargan respondeu simplesmente:
— Talvez.
O homem começou a separar pequenos sacos de sementes.
— Essas são boas.
— Vieram das planícies férteis do sul.
Kael jogou algumas moedas sobre o balcão.
Enquanto o mercador embrulhava os pacotes, ele perguntou casualmente:
— Quem vai plantar tudo isso?
Kael respondeu distraidamente:
— Nossa esposa.
O mercador congelou por um segundo.
— Esposa?
Dargan percebeu a reação.
— Algum problema?
O homem-raposa sorriu rapidamente.
— Não… não…
— Só curiosidade.
Ele entregou os sacos.
— Boa sorte com a plantação.
Kael pegou os pacotes.
— Obrigado.
Os dois começaram a sair do mercado.
Mas o mercador ficou olhando para eles.
Seu sorriso desapareceu.
Ele virou-se lentamente e entrou em uma pequena sala atrás da barraca.
Ali dentro, outro homem estava sentado na sombra.
Uma figura encapuzada.
— Eles compraram as sementes — disse o mercador.
A figura na sombra perguntou em voz baixa:
— Eles disseram para quem era?
O homem-raposa respondeu:
— Sim.
Ele engoliu seco antes de falar.
— Para Góvia.
O silêncio ficou pesado.
A figura encapuzada levantou a cabeça lentamente.
Um pequeno sorriso frio apareceu sob o capuz.
— Então ela realmente está viva.
Ele se levantou.
— Muito bem…
— Parece que é hora de terminar o trabalho que começou.
Enquanto isso…
Do lado de fora da cidade…
Kael e Dargan caminhavam tranquilamente pela estrada de volta.
Sem saber que…
A simples compra de algumas sementes
acabava de colocar Góvia em perigo novamente. 🌾🐺🐉