Capítulo 36 — A Cidade das Bestas

539 Words
O sol ainda estava baixo quando Dargan e Kael começaram a descer a trilha da montanha. A estrada que levava até a cidade serpenteava entre rochas gigantes e árvores antigas. Era um caminho usado há gerações pelos guerreiros da tribo. Dargan caminhava à frente, com passos firmes. Kael vinha logo atrás, com as mãos atrás da cabeça, observando o céu. — Ainda acho estranho — disse Kael. — Uma ogra pedindo sementes. Dargan respondeu sem olhar para trás. — Você comeu três tigelas da comida dela ontem. Kael abriu um sorriso. — Isso não muda o fato de que agora estamos indo comprar… plantas. Dargan apenas bufou. Depois de quase duas horas de caminhada, as muralhas naturais da cidade finalmente apareceram. A cidade das bestas era construída entre enormes formações rochosas. Cavernas esculpidas na pedra serviam como casas e fortalezas. Pontes de madeira ligavam algumas áreas mais altas. O lugar era movimentado. Havia lobos gigantes, tigres bestiais, ursos guerreiros, e até alguns tritões comerciantes que vinham do grande lago ao norte. Kael esticou os braços. — Ah… civilização. Dargan não parecia impressionado. — Vamos comprar o que ela pediu e ir embora. Eles entraram no mercado principal. Barracas estavam espalhadas por toda parte. Havia vendedores de armas, peles, ervas medicinais e alimentos secos. O cheiro de especiarias e carne assada se misturava no ar. Kael parou diante de um mercador de sementes. — Ei, velho. O comerciante, um homem-raposa de pelos avermelhados, levantou os olhos. — O que procuram? Kael puxou um pequeno saco de moedas. — Sementes. O mercador inclinou a cabeça. — Que tipo? Dargan respondeu: — Trigo. Kael completou: — Arroz. — Tomate. — Cebola. — E agrião. O mercador pareceu surpreso. — Isso é para uma plantação grande. Dargan respondeu simplesmente: — Talvez. O homem começou a separar pequenos sacos de sementes. — Essas são boas. — Vieram das planícies férteis do sul. Kael jogou algumas moedas sobre o balcão. Enquanto o mercador embrulhava os pacotes, ele perguntou casualmente: — Quem vai plantar tudo isso? Kael respondeu distraidamente: — Nossa esposa. O mercador congelou por um segundo. — Esposa? Dargan percebeu a reação. — Algum problema? O homem-raposa sorriu rapidamente. — Não… não… — Só curiosidade. Ele entregou os sacos. — Boa sorte com a plantação. Kael pegou os pacotes. — Obrigado. Os dois começaram a sair do mercado. Mas o mercador ficou olhando para eles. Seu sorriso desapareceu. Ele virou-se lentamente e entrou em uma pequena sala atrás da barraca. Ali dentro, outro homem estava sentado na sombra. Uma figura encapuzada. — Eles compraram as sementes — disse o mercador. A figura na sombra perguntou em voz baixa: — Eles disseram para quem era? O homem-raposa respondeu: — Sim. Ele engoliu seco antes de falar. — Para Góvia. O silêncio ficou pesado. A figura encapuzada levantou a cabeça lentamente. Um pequeno sorriso frio apareceu sob o capuz. — Então ela realmente está viva. Ele se levantou. — Muito bem… — Parece que é hora de terminar o trabalho que começou. Enquanto isso… Do lado de fora da cidade… Kael e Dargan caminhavam tranquilamente pela estrada de volta. Sem saber que… A simples compra de algumas sementes acabava de colocar Góvia em perigo novamente. 🌾🐺🐉
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