Capítulo 34 — Guerreiros e Provedores

624 Words
O sol já estava alto quando o trabalho começou. A montanha, que antes parecia silenciosa e vazia, agora estava cheia de movimento. Kael estava cavando o pequeno canal que levaria a água da cachoeira até o lugar onde Góvia queria construir a pia. — Eu ainda não acredito nisso… — resmungou ele enquanto enfiava a lâmina na terra. — Um comandante respeitado da tribo… cavando um buraco. Dargan passou carregando duas pedras enormes nos ombros. — Pare de reclamar. — Você não é o único que está trabalhando. Kael bufou. — Você gosta de carregar peso. Dargan deu de ombros. — Faz parte do treino. Perto dali, Rhogar empurrava uma pedra gigantesca para o lugar onde seria a base da pia. O som da rocha raspando na terra ecoava pela montanha. Góvia observava tudo com os braços cruzados. Ela analisava cada detalhe. — Não. — Essa pedra precisa ficar mais para a esquerda. Rhogar empurrou a rocha mais alguns centímetros sem reclamar. Kael olhou para aquilo com incredulidade. — Eu não acredito. — O grande Rhogar, General das Legiões de Pedra, obedecendo ordens de cozinha. Rhogar respondeu calmamente: — A ideia é eficiente. Dargan largou as pedras perto da cachoeira. Ele limpou as mãos. — Além disso… — Eu prefiro isso do que ouvir ela reclamar o dia inteiro. Góvia levantou uma sobrancelha. — Quer comer cru então? Dargan imediatamente ficou quieto. Kael começou a rir. Depois de alguns minutos de trabalho, Góvia se aproximou da fogueira e colocou água para aquecer. — Já que estamos falando de trabalho… Ela olhou para os três. — Eu quero saber uma coisa. Rhogar respondeu primeiro. — O quê? — Como vocês ganham dinheiro. Kael se endireitou um pouco. — Isso é fácil. Ele apontou para si mesmo. — Eu sou Major da Guarda das Fronteiras da Tribo. — Eu patrulho as montanhas e protejo as rotas comerciais. Dargan falou em seguida. — Eu sou Capitão dos Caçadores da Tribo. — Minha função é liderar as expedições de caça e trazer alimento para os guerreiros. Rhogar terminou: — Eu comando o exército principal. — Sou General das Legiões de Pedra. O silêncio caiu por um momento. Góvia piscou. — Então vocês são ricos. Kael riu. — Bastante. Dargan cruzou os braços. — Ou éramos… Kael apontou para Góvia. — Até alguém gastar tudo em jogos. Góvia suspirou. — Aquilo foi a antiga dona deste corpo. Rhogar observava ela em silêncio. Depois falou: — E agora? Góvia abriu um pequeno sorriso. — Agora vamos investir. Kael levantou uma sobrancelha. — Investir? Ela apontou para o horizonte. — Terra fértil. — Trigo. — Pão. Depois apontou para a panela. — E comida melhor que carne crua. Dargan parecia pensativo. — Isso pode ser útil para os guerreiros. Rhogar concordou. — Exércitos marcham melhor quando comem bem. Kael cruzou os braços. — Então agora nossa ogra virou estrategista econômica. Góvia respondeu calmamente: — Eu só estou cansada de viver m*l. Nesse momento… A água da cachoeira finalmente começou a correr pelo pequeno canal que Kael havia cavado. Ela escorreu pela pedra grande que Rhogar posicionou… E caiu diretamente na pedra plana. Formando uma pequena pia natural de pedra. Góvia olhou para aquilo. E pela primeira vez… Ela sorriu de verdade. — Muito melhor. Kael apoiou a pá no ombro. — Ótimo. — Agora qual é o próximo projeto da chefe? Góvia respondeu sem hesitar: — Amanhã vocês vão para a cidade. Dargan suspirou. — Eu odeio cidade. Góvia cruzou os braços. — Então aprenda a gostar. — Porque vamos comprar sementes de trigo. Rhogar olhou para o horizonte distante. Pensativo. Porque ele sabia… Que aquela simples viagem à cidade poderia trazer muito mais problemas do que qualquer um deles imaginava.
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