O sol já estava alto quando Góvia saiu da caverna naquela manhã.
O ar estava quente, e a luz forte iluminava as pedras claras da montanha. O vento soprava com mais força ali em cima, trazendo o cheiro da floresta lá embaixo.
Ela ficou parada por um momento, olhando a paisagem.
Depois olhou para o próprio corpo.
Grande.
Pesado.
Cansado.
Ela suspirou.
— Se eu continuar assim… não vou sobreviver muito tempo.
O corpo da ogra era forte, mas também carregava muitos problemas.
Peso excessivo.
Toxinas no sangue.
Pouca resistência.
Se quisesse realmente mudar, precisava começar por algo simples.
Movimento.
Ela começou a descer lentamente pelo caminho de pedras perto da caverna.
Cada passo fazia pequenas pedras rolarem montanha abaixo.
No começo, seus músculos reclamaram imediatamente.
Seu corpo não estava acostumado a esforço constante.
Mas ela continuou.
— Só mais um pouco…
Do alto de uma árvore próxima, dois olhos azuis observavam.
Kael.
Ele estava deitado sobre um galho grosso, assistindo a cena com interesse.
— Isso é novo… — murmurou.
Góvia caminhou até um pequeno espaço aberto perto da caverna.
Respirou fundo.
Depois começou a fazer algo que nenhum ogro daquela tribo jamais fazia.
Exercícios.
Primeiro, movimentos simples com os braços.
Depois agachamentos lentos.
Cada movimento exigia esforço.
O suor começou a escorrer por sua testa.
Mas ela não parou.
Kael inclinou a cabeça.
— Ela enlouqueceu.
Alguns minutos depois, outro cheiro chegou ao local.
Dargan.
Ele apareceu na trilha carregando um pequeno cervo.
Quando viu Góvia fazendo aqueles movimentos estranhos…
Parou.
— O que você está fazendo?
Góvia estava ofegante, mas respondeu:
— Treinando.
Dargan franziu a testa.
— Para quê?
Ela apontou para o próprio corpo.
— Para consertar isso.
Dargan observou em silêncio.
Depois falou:
— Ogras são fortes.
Góvia respondeu imediatamente:
— Mas também podem ser lentas.
Kael caiu da árvore com um salto leve, aterrissando perto deles.
— Isso eu preciso ver.
Góvia ignorou os dois e continuou os movimentos.
Agachamento.
Respiração.
Mais um.
Seu corpo doía.
Mas algo dentro dela também parecia despertar.
Força.
Determinação.
Dargan deixou o cervo no chão.
Ficou observando.
Depois falou:
— Se vai treinar…
Ele apontou para uma grande pedra perto dali.
— Levante isso.
Góvia olhou para a pedra.
Era enorme.
Ela suspirou.
— Você quer me matar?
Kael começou a rir.
Mas Góvia caminhou até a pedra.
Abaixou-se.
E tentou levantá-la.
A pedra m*l se moveu.
Mas se moveu.
Dargan cruzou os braços.
— Não é impossível.
Góvia respirou fundo.
— Ótimo.
Ela olhou diretamente para ele.
— Então você vai ajudar.
Kael abriu um sorriso enorme.
— Isso está ficando interessante.
E pela primeira vez…
Aquela montanha começou a se tornar um lugar de treino.
Não apenas de sobrevivência.
Mas de mudança.
Uma mudança lenta.
Mas inevitável.