A noite havia tomado conta das montanhas.
O vento soprava entre as rochas altas, fazendo as árvores da encosta balançarem lentamente. A fogueira em frente à caverna crepitava, lançando pequenas faíscas douradas para o ar.
O cheiro da carne que Góvia havia preparado ainda pairava no ambiente.
Dargan estava sentado perto da fogueira, terminando um pedaço do javali que havia trazido da caça.
Kael, como sempre, estava deitado sobre uma pedra próxima, completamente confortável.
— Eu realmente deveria morar aqui — comentou ele com um sorriso preguiçoso.
— Boa comida… vista bonita… companhia interessante.
Góvia olhou para ele.
Seus braços estavam cruzados.
— Interessante?
Kael sorriu.
— Sim.
— Principalmente porque eu não faço nada e mesmo assim como bem.
Góvia estreitou os olhos.
— Pois isso acabou.
Kael levantou uma sobrancelha.
— Oh?
Góvia apontou para ele.
— Dargan caça.
Depois apontou para si mesma.
— Eu preparo a comida.
Então apontou novamente para Kael.
— Você.
Ele inclinou a cabeça.
— Eu…?
— Vai fazer algo útil.
Dargan soltou uma pequena risada baixa, quase imperceptível.
Kael colocou a mão no peito dramaticamente.
— Isso é exploração.
Góvia respondeu sem hesitar:
— Então pare de comer.
O silêncio caiu por um segundo.
Kael olhou para o pedaço de carne em sua mão.
Depois suspirou.
— Certo… certo…
— O que a ogra chefe quer que eu faça?
Góvia apontou para a encosta da montanha.
— Lá embaixo tem árvores caídas.
— Traga madeira.
Kael arregalou os olhos.
— Madeira?
— Eu sou um predador.
— Não um lenhador.
Góvia pegou outro pedaço de carne e colocou na própria boca.
— Então fique com fome.
Dargan virou o rosto para esconder o sorriso.
Kael suspirou dramaticamente.
— Vocês dois são terríveis.
Mas alguns minutos depois…
Um grande lobo prateado já descia a montanha correndo.
Góvia voltou a mexer na panela.
Dargan observava em silêncio.
Depois falou:
— Você manda bem.
Góvia deu de ombros.
— Se ele vai comer aqui, vai ajudar.
O vento soprou mais forte naquele momento.
E Dargan levantou a cabeça.
Seu nariz se contraiu.
Ele ficou completamente imóvel.
Góvia percebeu imediatamente.
— O que foi?
Dargan respondeu baixo.
— Alguém está subindo a montanha.
O vento trouxe um novo cheiro.
Pesado.
Antigo.
Kael voltou alguns minutos depois carregando um grande tronco preso entre os dentes.
Mas assim que chegou…
Ele também sentiu.
Seus olhos azuis ficaram atentos.
— Ah…
Ele largou o tronco no chão.
— Então ele finalmente apareceu.
Góvia franziu a testa.
— Quem?
Nenhum dos dois respondeu.
Então…
Um som pesado ecoou pela trilha de pedra.
Passos.
Lentos.
Firmes.
Como se algo extremamente pesado estivesse subindo a montanha.
Das sombras da trilha…
Uma figura gigantesca começou a aparecer.
Primeiro vieram os olhos.
Âmbar.
Brilhando como brasas na escuridão.
Depois o corpo.
Alto.
Enorme.
Os músculos eram largos como os de uma muralha.
Partes de sua pele estavam cobertas por escamas cinzentas, que refletiam a luz da fogueira como pedra polida.
Cada passo fazia pequenas pedras rolarem pela encosta.
Kael cruzou os braços.
— Faz tempo, Rhogar.
O recém-chegado parou perto da fogueira.
Seu olhar era calmo.
Silencioso.
Observador.
Ele não parecia agressivo.
Mas havia uma presença esmagadora em torno dele.
Rhogar.
A b***a conhecida entre a tribo como o Dragão de Pedra.
Seu olhar lentamente passou por Kael.
Depois por Dargan.
E finalmente…
Parou em Góvia.
O silêncio ficou pesado.
Muito pesado.
Rhogar falou.
Sua voz era profunda.
Grave.
— Então é verdade.
Ele deu mais um passo.
A luz da fogueira iluminou melhor seu rosto.
— Você ainda vive.
Góvia cruzou os braços.
Ela não recuou.
— Parece decepcionado?
Rhogar inclinou a cabeça.
Observando.
Estudando.
Como se estivesse tentando entender algo.
— Não.
— Surpreso.
Dargan falou com voz firme:
— O que você quer?
Rhogar respondeu calmamente:
— Ver com meus próprios olhos.
Ele voltou a olhar para Góvia.
Mais atentamente agora.
Mais profundo.
— Você mudou.
Kael sorriu de lado.
— Eu disse isso também.
Góvia respondeu seca:
— Eu continuo a mesma.
Rhogar ficou alguns segundos em silêncio.
Então disse:
— Não.
— Algo está diferente.
Nesse momento…
Aquela luz azul apareceu diante dos olhos de Góvia.
As letras surgiram lentamente.
Progresso da missão detectado
Um dos maridos demonstrou interesse inicial
+2 progresso
Góvia manteve o rosto neutro.
Mas por dentro…
Ela sabia.
A missão tinha começado.
E agora…
Mais um marido fera havia entrado na história.
E com um Dragão de Pedra na montanha…
Nada voltaria a ser simples novamente.