Entro no banheiro, ligo o chuveiro e deixo que a água quente escorra pelo meu corpo, despertando cada centímetro de mim. A sensação é revigorante, quase terapêutica. Depois de me secar, escolho uma saia lápis que abraça minha cintura e uma camisa leve, perfeita para o calor que o dia promete trazer. Saio do banheiro ainda secando o cabelo com pressa, sabendo que meu pai já deve estar na cozinha, como sempre. Minutos depois, encontro-o exatamente onde imaginei. Ele está diante do fogão, mexendo na cafeteira, os gestos automáticos de quem repete esse ritual há anos. O cheiro de café fresco se espalha pelo ambiente, acolhedor e familiar. Assim que entro, ele me lança um olhar rápido antes de voltar à sua tarefa. — Bom dia, pai. — Digo, pegando a xícara que ele já deixou pronta para mim. For

