Como sempre saí de casa às pressas e nem consegui dar minha ligação semanal aos meus pais que moram no Brasil. Costumo ligar para eles às sextas feiras, mas hoje não consegui antes de trabalhar, então decidi ligar mais tarde.
Quando cheguei ao trabalho corri pra minha mesa chequei o visual, arrumei minha mesa e deixei o trabalho de ontem feito sobre a mesa do senhor Mitchell.
Assim que ele chegou achei que fosse passar por mim como sempre sem responder meu bom dia, mas o inesperado aconteceu e aqui estou eu levando uma bandeja com café da manhã para o escritório dele e o pior, eu vou estar com ele tomando café como se fôssemos íntimos.
Bato na porta e entro com a bandeja nas mãos, pego um vislumbre dele de óculos de graus me olhando. O homem é realmente lindo até com óculos desse tipo.
Ele abriu um espaço em sua mesa para que eu colocasse a bandeja o que achei estranho, normalmente ele me ignoraria e me deixaria se virar sozinha sem ajuda.
— Sente-se, podemos conversar enquanto comemos.
— O senhor tem certeza?
— Sim. — Me sento hesitante enquanto o olho esperando a qualquer momento ele se levantar e gritar “pegadinha do malandro, agora volte ao trabalho”.
Vou me servir, mas ele faz isso por nós dois e acerta em cheio como eu gosto do meu café.
— O senhor vai me demitir, por isso está sendo gentil? — Falo arregalando os olhos sem conseguir conter meu modo impulsivo.
— Não, eu quero pedir desculpas por ser tão ogro com você. — Fala me olhando enquanto leva sua xícara de café aos lábios.
— Ah, tudo bem, é como o senhor é…
— Não eu… Eu não sou assim Letícia, você me faz perder a paciência. — Eu me encolho esperando mais uma bomba de palavras, mas elas não vêm.
— Quero que almoce comigo mais tarde.
— Devo levar meu caderno de anotações?
— Não mulher, quero que leve somente sua b***a comigo quando saímos. — Suas palavras me pegam desprevenida e tenho vontade de rir, mas o modo como ele me olha não sei dizer se está sendo brincalhão.
— Não sei se é uma boa ideia senhor.
— É um almoço de desculpas, por favor, aceite.
— Tudo bem.
— OK. — Diz ele sorrindo satisfeito com minha resposta e quase, só quase me perdi naquele sorriso convencido.
Tomamos café conversando sobre seus compromissos e quando terminamos voltei para minha mesa sem acreditar que pela primeira vez desde que vim trabalhar para meu chefe bonitão esta é a primeira vez que ele está sendo legal, um legal de modo estranho, mas ainda assim legal.
Passar a manhã sem ouvir gritos foi muito estranho e acho que todos na empresa também estranharam e para piorar morri de vergonha ao sair da empresa no horário de almoço acompanhada com meu chefe. A sensação de que todos ao redor me olhavam era bizarra ao extremo de me deixar pensar que falavam m*l de mim pelas costas.
Dentro do carro sentada ao lado do senhor Mitchell eu buscava não ficar olhando para ele e segurar minha língua para não perguntar qual era o objetivo dele estar sendo legal demais comigo.
Ele olhava o celular com uma expressão que eu já estava acostumada vê-lo usar comigo, quando estava puto e prestes a chamar alguém de imprestável da cabeça aos pés.
Seu motorista dirigia calado sem olhar para nós e eu começava a ficar nervosa, quando a voz grave dele ressoou no carro me assustando.
— Por que está tão tensa? Como um gato prestes a fugir de um banho.
— E-eu não estou tensa.
— Eu já falei que sei quando está mentindo, então pare com esse comportamento e seja sincera.
— O senhor só pode estar brincando comigo, quer mesmo minha sinceridade? —Ele sorri e assente me fazendo cerrar os olhos em desconfiança.
— OK, eu estou com medo, o senhor nunca agiu assim comigo, resolveu não me demitir e está me fazendo passar por isso, qual é o objetivo? Vai me matar e se livrar do corpo? — Ele arregalou os olhos em descrença, talvez em choque.
— Meu Deus, eu acho que realmente te traumatizei até a alma, jamais faria isso com você. — Vejo o vislumbre de um sorriso do motorista e o senhor Mitchell sobe a divisa entre seu motorista e nós.
— Eu sinto muito se achou que eu faria uma loucura dessas com você. — Diz ele pegando minha mão.
Ao mesmo tempo em que sinto meu corpo arrepiar também ouço meu subconsciente gritando para que eu peça para ele me soltar. O arrepio que me atravessa não é r**m, é apenas uma sensação boa, mas que sinaliza com uma grande placa de neon dizendo que nosso toque de diversas maneiras é errado.
— Eu exagerei um pouco, me desculpe. – digo morta de vergonha
— Não, eu é quem tenho que te pedir desculpas por tudo. — O que vem depois me deixa completamente sem chão. Ele leva minha mão aos lábios e a beija como se estivesse triste consigo mesmo e quisesse me proteger de si mesmo.
— Me chame de Eduardo, por favor.
— Sim senhor. — Falo quando ele solta minha mão.
O carro para e ele abre a porta para mim, entramos em um restaurante com o nome The Modern Gourmet.
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