📖 Entre Espinhos e Veneno
Capítulo 17 — O Centro da Cidade
O centro da cidade nunca dormia de verdade.
Mesmo de dia, havia sempre movimento — carros, pessoas, luzes, ruído constante. Um caos organizado que escondia melhor do que qualquer sombra o que realmente acontecia ali.
E, naquela manhã, o caos parecia mais pesado.
Como se algo estivesse prestes a colidir.
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Isabela chegou primeiro.
O edifício escolhido para a reunião era um antigo centro de negócios, agora neutro por acordo entre as principais organizações da cidade. Um lugar onde nenhuma g****e tinha oficialmente domínio.
Oficialmente.
Porque na prática… todos dominavam um pouco.
O carro parou.
A porta abriu-se.
Isabela saiu sem hesitar.
Cabelo preso de forma simples. Roupa escura. Postura firme.
Segurança mínima.
Não porque confiava.
Mas porque ninguém ali era capaz de a parar.
Sofia aproximou-se.
— Os Espinhos estão posicionados.
Isabela assentiu.
— E os Corvos?
— Nenhum sinal ainda.
Isabela olhou para o edifício.
— Eles vão aparecer.
— Tens a certeza?
Ela não respondeu.
Mas o olhar dela dizia tudo.
Ela não vinha ali para negociar.
Ela vinha para descobrir.
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Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade.
Mateus descia do carro preto com calma absoluta.
Rafael ao lado.
— O perímetro está limpo — disse ele.
Mateus ajustou o casaco.
— Nunca está limpo.
Rafael não respondeu.
Porque sabia que era verdade.
O mundo deles nunca era realmente limpo.
Era apenas… silencioso antes do impacto.
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Dentro do edifício.
A sala principal estava preparada.
Mesa longa.
Cadeiras dispostas em círculo.
Representantes de várias organizações já presentes.
O ar era pesado.
Todos sabiam porque estavam ali.
E ninguém confiava em ninguém.
Quando Isabela entrou na sala, várias cabeças viraram-se.
O silêncio caiu quase instantaneamente.
Ela caminhou até ao lugar reservado aos Espinhos de Aço e sentou-se sem olhar para ninguém.
Mas sentia todos os olhares.
Sempre sentia.
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Alguns minutos depois.
A porta abriu-se novamente.
E Mateus entrou.
O ar mudou imediatamente.
Mais frio.
Mais tenso.
Como se a sala inteira reconhecesse o perigo antes de o ver.
Os olhos dele encontraram Isabela por um segundo.
Curto.
Mas suficiente.
Nenhum dos dois desviou primeiro.
Como sempre.
Depois ele sentou-se do outro lado da sala.
E o silêncio ficou ainda mais pesado.
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— Vamos começar — disse um dos mediadores.
Mas ninguém parecia realmente interessado em começar.
Porque não era uma reunião comum.
Era um tabuleiro.
E todos estavam a tentar perceber quem estava a jogar.
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Isabela inclinou-se ligeiramente para Sofia.
— Observa tudo.
— Já estou a observar.
— Não os Corvos.
Sofia olhou para ela.
Isabela não desviou os olhos da sala.
— Ele.
Sofia percebeu imediatamente.
Mateus.
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Do outro lado.
Rafael inclinou-se para Mateus.
— Ela também está a analisar tudo.
— Eu sei.
— Estás a ser observado.
Mateus não parecia incomodado.
— Sempre estou.
Pausa.
— Mas hoje não é ela que me preocupa.
Rafael franziu o sobrolho.
— Então quem?
Mateus olhou discretamente à volta da sala.
— Quem ainda não chegou.
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E foi nesse momento que a porta voltou a abrir.
Mas desta vez… não foi um representante conhecido.
Três figuras entraram.
Roupas escuras.
Símbolo vermelho no peito.
Corvos Vermelhos.
O silêncio caiu de vez.
Isabela endireitou-se imediatamente.
Mateus também.
Mas não foi isso que chamou mais atenção.
O que chamou atenção foi a quarta pessoa.
Um homem.
Alto.
Calmo.
Rosto parcialmente coberto.
E quando levantou o olhar…
A sala inteira pareceu prender a respiração.
Isabela sentiu o estômago apertar.
Mateus ficou imóvel.
Porque aquele não era só mais um inimigo.
Era alguém que não devia estar ali.
Alguém que conheciam demasiado bem.
E antes que alguém falasse…
o homem sorriu.
— Acho que chegámos tarde à festa.
Continua... 🖤