O centro da cidade

627 Words
📖 Entre Espinhos e Veneno Capítulo 17 — O Centro da Cidade O centro da cidade nunca dormia de verdade. Mesmo de dia, havia sempre movimento — carros, pessoas, luzes, ruído constante. Um caos organizado que escondia melhor do que qualquer sombra o que realmente acontecia ali. E, naquela manhã, o caos parecia mais pesado. Como se algo estivesse prestes a colidir. --- Isabela chegou primeiro. O edifício escolhido para a reunião era um antigo centro de negócios, agora neutro por acordo entre as principais organizações da cidade. Um lugar onde nenhuma g****e tinha oficialmente domínio. Oficialmente. Porque na prática… todos dominavam um pouco. O carro parou. A porta abriu-se. Isabela saiu sem hesitar. Cabelo preso de forma simples. Roupa escura. Postura firme. Segurança mínima. Não porque confiava. Mas porque ninguém ali era capaz de a parar. Sofia aproximou-se. — Os Espinhos estão posicionados. Isabela assentiu. — E os Corvos? — Nenhum sinal ainda. Isabela olhou para o edifício. — Eles vão aparecer. — Tens a certeza? Ela não respondeu. Mas o olhar dela dizia tudo. Ela não vinha ali para negociar. Ela vinha para descobrir. --- Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade. Mateus descia do carro preto com calma absoluta. Rafael ao lado. — O perímetro está limpo — disse ele. Mateus ajustou o casaco. — Nunca está limpo. Rafael não respondeu. Porque sabia que era verdade. O mundo deles nunca era realmente limpo. Era apenas… silencioso antes do impacto. --- Dentro do edifício. A sala principal estava preparada. Mesa longa. Cadeiras dispostas em círculo. Representantes de várias organizações já presentes. O ar era pesado. Todos sabiam porque estavam ali. E ninguém confiava em ninguém. Quando Isabela entrou na sala, várias cabeças viraram-se. O silêncio caiu quase instantaneamente. Ela caminhou até ao lugar reservado aos Espinhos de Aço e sentou-se sem olhar para ninguém. Mas sentia todos os olhares. Sempre sentia. --- Alguns minutos depois. A porta abriu-se novamente. E Mateus entrou. O ar mudou imediatamente. Mais frio. Mais tenso. Como se a sala inteira reconhecesse o perigo antes de o ver. Os olhos dele encontraram Isabela por um segundo. Curto. Mas suficiente. Nenhum dos dois desviou primeiro. Como sempre. Depois ele sentou-se do outro lado da sala. E o silêncio ficou ainda mais pesado. --- — Vamos começar — disse um dos mediadores. Mas ninguém parecia realmente interessado em começar. Porque não era uma reunião comum. Era um tabuleiro. E todos estavam a tentar perceber quem estava a jogar. --- Isabela inclinou-se ligeiramente para Sofia. — Observa tudo. — Já estou a observar. — Não os Corvos. Sofia olhou para ela. Isabela não desviou os olhos da sala. — Ele. Sofia percebeu imediatamente. Mateus. --- Do outro lado. Rafael inclinou-se para Mateus. — Ela também está a analisar tudo. — Eu sei. — Estás a ser observado. Mateus não parecia incomodado. — Sempre estou. Pausa. — Mas hoje não é ela que me preocupa. Rafael franziu o sobrolho. — Então quem? Mateus olhou discretamente à volta da sala. — Quem ainda não chegou. --- E foi nesse momento que a porta voltou a abrir. Mas desta vez… não foi um representante conhecido. Três figuras entraram. Roupas escuras. Símbolo vermelho no peito. Corvos Vermelhos. O silêncio caiu de vez. Isabela endireitou-se imediatamente. Mateus também. Mas não foi isso que chamou mais atenção. O que chamou atenção foi a quarta pessoa. Um homem. Alto. Calmo. Rosto parcialmente coberto. E quando levantou o olhar… A sala inteira pareceu prender a respiração. Isabela sentiu o estômago apertar. Mateus ficou imóvel. Porque aquele não era só mais um inimigo. Era alguém que não devia estar ali. Alguém que conheciam demasiado bem. E antes que alguém falasse… o homem sorriu. — Acho que chegámos tarde à festa. Continua... 🖤
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