📖 Entre Espinhos e Veneno
Capítulo 13 — Luxo e Solidão
A cidade parecia mais silenciosa depois daquela noite.
Não porque o caos tivesse acabado.
Mas porque algo tinha mudado.
Algo antigo tinha regressado.
E isso deixava tudo mais instável.
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Isabela não falou durante todo o caminho de volta.
O carro atravessava a cidade rapidamente, passando de zonas industriais destruídas para avenidas cada vez mais limpas, até entrar na área onde o mundo parecia outro.
A zona dos bilionários.
Luz perfeita.
Ruas impecáveis.
Segurança invisível, mas constante.
Ali, tudo parecia controlado.
Demasiado controlado.
O portão da mansão abriu-se automaticamente.
O carro entrou sem ruído.
A residência de Isabela Mendes não era apenas uma casa.
Era uma fortaleza disfarçada de luxo.
Vidros escuros, arquitetura moderna, jardins silenciosos e segurança em cada canto.
Quando a porta do carro abriu, ela saiu sem olhar para trás.
Os seus passos ecoavam levemente no mármore da entrada.
— Boa noite, senhorita — disse um dos seguranças.
Ela não respondeu.
Não precisava.
Dentro da mansão, tudo era frio.
Bonito, caro… mas frio.
Isabela tirou o casaco e largou-o sobre uma cadeira sem parar.
Caminhou até à sala principal.
E parou.
A imagem dele ainda estava na sua mente.
Gabriel.
Vivo.
Depois de tantos anos.
Ela fechou os olhos por um segundo.
Não de emoção.
Mas de cálculo.
Ela não gostava de perguntas sem resposta.
E aquela situação estava cheia delas.
— Quem te trouxe de volta…? — murmurou para si mesma.
A resposta não veio.
Só o silêncio da casa.
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Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade.
O carro de Mateus atravessava ruas escuras até chegar ao seu território.
Longe da zona dos ricos.
Longe da calma falsa.
Ali, o ambiente era diferente.
Mais real.
Mais perigoso.
O portão da sua mansão abriu-se lentamente.
A residência de Mateus Correia era menos luxuosa no sentido clássico… mas muito mais intimidante.
Alta, escura, protegida.
Mais parecida com uma base militar do que uma casa.
Ele entrou sem pressa.
Rafael já o esperava.
— Chefe.
— Fala.
— Perdemos o rasto dos Corvos Vermelhos.
Mateus tirou o casaco e passou por ele.
— Não perderam. Eles deixaram-nos.
Rafael franziu o sobrolho.
— Como assim?
Mateus parou por um instante.
— Isto não foi um ataque completo.
— Foi uma mensagem.
Ele subiu as escadas.
— E Gabriel está no centro dela.
Rafael ficou em silêncio.
O nome ainda soava estranho.
Quase impossível.
— Ele está mesmo vivo… — murmurou.
Mateus não respondeu.
Mas a expressão dele dizia tudo.
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Mais tarde naquela noite.
Isabela estava sozinha no quarto principal da mansão.
A luz era baixa.
A cidade vista através da janela parecia distante demais.
Ela caminhou até ao espelho.
Observou o próprio reflexo.
Firme.
Controlada.
Perigosa.
Mas por baixo disso…
algo inquieto.
Algo antigo.
A imagem de Gabriel voltou outra vez.
E junto com ela…
o passado.
— Isto não devia ter acontecido — disse ela em voz baixa.
Silêncio.
Então fechou os olhos.
E a sua expressão mudou ligeiramente.
Mais fria.
Mais dura.
Mais perigosa.
— Se voltaste para a cidade… — murmurou.
Abriu os olhos novamente.
— …vais aprender o que acontece quando fantasmas escolhem voltar.
Ela virou-se e caminhou até à secretária.
Pegou num dossiê.
Começou a escrever ordens.
Rápidas.
Precisamente calculadas.
Sem hesitação.
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Ao mesmo tempo.
Mateus estava no escritório da sua mansão.
A cidade iluminava-se através do vidro escuro atrás dele.
Ele não estava sentado.
Estava de pé.
Imóvel.
Os dedos apoiados na mesa.
Rafael entrou novamente.
— Chefe… vamos investigar Gabriel?
Mateus ficou em silêncio alguns segundos.
— Não.
Rafael estranhou.
— Não?
Mateus virou ligeiramente o olhar.
— Não vamos investigar.
Pausa.
— Vamos caçá-lo.
Silêncio.
O ar ficou mais pesado.
Rafael assentiu lentamente.
— Entendido.
Saiu.
Mateus ficou sozinho.
Os olhos fixos na cidade.
E pela primeira vez em muito tempo…
não havia dúvida nele.
Só decisão.
Porque Gabriel não tinha voltado apenas como fantasma.
Tinha voltado como ameaça.
E ameaças…
eram eliminadas.
Continua... 🖤🐍🥀