NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT O ar na sala de reuniões da AeroSky era rarefeito, saturado pelo cheiro de café expresso importado e pelo suor frio de homens que movimentavam bilhões, mas que temiam o meu próximo movimento como se estivessem diante de um pelotão de fuzilamento. Eu estava sentado na cabeceira da mesa de carvalho n***o, uma peça maciça que parecia absorver a luz, cercado por telas de LED que vomitavam gráficos de ascensão, projeções de mercado e algoritmos de risco. No entanto, minha mente estava a quilômetros dali, presa no cheiro de terra úmida, na fúria contida e na resistência feroz de uma certa "estudante de subúrbio" que teve a audácia de me peitar no meu próprio jardim, sob o sol da manhã. — Os números da fusão com a Lufthansa estão sólidos, Bittencourt — disse Silve

