NARRAÇÃO: DIEGO Eu estava parado na periferia do palco, as solas dos meus sapatos de verniz italiano parecendo coladas ao mármore frio, enquanto assistia à maior demonstração de masoquismo social que a elite de São Paulo já presenciou. Observar Daniel e Mariana era como ver duas estrelas de nêutrons colidindo: a pressão era insuportável, a luz cegava e você sabia que, no final, sobraria apenas um buraco n***o devorando tudo ao redor. O brilho do tablet na minha mão, com gráficos de ações subindo como foguetes, parecia uma piada de mau gosto perto do brilho gélido e homicida que emanava das pupilas de Daniel. Ele estava no seu elemento, o predador alfa no topo da cadeia alimentar, exibindo sua aquisição mais cara. Mas eu conhecia o desgraçado. Éramos farinha do mesmo saco de lixo de luxo

