PONTO DE VISTA: MARIANA Eu acompanhei a Bia até o apartamento onde ela estava ficando como quem escolta um ferido num campo de batalha. O trajeto foi um silêncio cortante, interrompido apenas pelo som dos nossos passos rápidos e o barulho dos carros ao longe. Não era perto. Não era caminho. Não era, de forma alguma, confortável. Era outro bairro, outra realidade. Ruas estreitas demais, daquelas que parecem se fechar sobre você, silenciosas de um jeito que incomoda. Os postes de luz piscavam com uma frequência doentia, como se estivessem cansados de iluminar os mesmos problemas alheios todas as noites. O prédio era uma relíquia decadente: pintura descascando em tiras, grades enferrujadas que rangiam com o vento e janelas fechadas cedo demais. Era o cenário perfeito para quem está tentand

