capítulo 73

679 Words

Virei-me devagar, preenchendo o umbral da porta com a minha estatura. Beatriz estava parada no meio da cozinha, as mãos ainda agarradas à caneca vazia como se fosse o seu único escudo contra a escuridão que eu representava. Dei dois passos curtos, invadindo o espaço vital dela, sentindo o ar entre nós estalar com a mesma eletricidade estática de segundos atrás. Inclinei-me sobre ela. Foi um movimento lento, deliberado, predatório mas contido, para que ela pudesse ver cada centímetro da minha intenção no meu rosto marcado. Depositei um beijo demorado, quente e pesado na sua bochecha, sentindo a pele dela macia, quente e absurdamente real sob os meus lábios ásperos. O cheiro dela, uma mistura de café e sabonete de glicerina, inundou meus sentidos, limpando por um milésimo de segundo o che

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