Fiquei paralisada na areia fofa, sem conseguir mover as pernas. O instinto e o medo inicial gritaram na minha mente para correr. Disseram para eu fugir dali o mais rápido possível e chamar a ajuda da polícia anonimamente de um telefone público. Envolver-se com cenas de violência assim na nossa cidade era muito, muito perigoso. Pessoas sumiam por muito menos. Eu olhei para o alto. Encarei a ribanceira assustadora de terra, mato e pedra pontiaguda que descia do viaduto lá no céu. Havia um rastro terrível, um caminho rasgado de mato quebrado, galhos partidos e terra deslizada que descia até o chão. Aquele homem não tinha sido deixado ali. Ele havia despencado de lá de cima. A queda era monstruosa, coisa de dezenas de metros. Uma queda fatal. — Senhor, tenha infinita misericórdia dessa alma.

