NARRADO POR LARISSA: A DESCOBERTA O cheiro de antisséptico barato misturado com o ferro do sangue fresco era a rotina do meu plantão. A emergência do hospital público no centro da cidade estava um verdadeiro caos. Sirenes não paravam de gritar lá fora, macas cruzavam os corredores com vítimas de trânsito, acertos de contas e o desespero cru que o Rio de Janeiro cospe na nossa cara todo santo dia. Eu estava no meio de um curativo complexo quando o mundo girou. Não foi uma tontura normal de cansaço. O chão pareceu fugir dos meus pés, e um enjoo violento, amargo, subiu rasgando a minha garganta. Tive que me apoiar na beirada da maca, fechando os olhos até a pressão estabilizar. — Tá pálida, Larissa. Vai sentar um pouco, eu termino aqui — a Carla, minha colega de turno, murmurou, me empurra

