A expressão da mãe dela mudou na mesma fração de segundo. O sorriso fraco evaporou, a pele dela pareceu ficar mais cinza ainda. Ela apertou as mãos secas no colo, desviando o olhar pro chão de cimento da varanda, visivelmente desconfortável com a ideia de desenterrar a fita amarga do passado. — Meu marido... o pai da Serena... ele não está mais entre nós, filho — ela falou com a voz embargada, um tom amargo pra c*****o cortando cada palavra. — Ele foi morto. Tem muitos anos isso. A gente morava em outro bairro na época. Foi uma tragédia horrível. Um traficante tirou a vida dele na covardia. A palavra "traficante" bateu no meu peito igual um soco inglês de aço. O meu coração deu um pulo bizarro, acelerou, e o meu sangue esfriou na veia. A minha mão direita, num reflexo puro que eu não con

