Eu sentia uma admiração profunda, vasta e avassaladora crescer dentro do meu peito. Era como se, por alguns minutos mágicos, o mundo tivesse parado de girar na sua velocidade destrutiva para me permitir respirar. Eu conseguia ver o brilho vívido nos olhos daquelas pessoas. Era um brilho inegável de resistência. Mesmo com todas as dificuldades diárias, mesmo carregando as cicatrizes profundas que a vida em uma sociedade desigual e violenta impõe, eles escolhiam o movimento. Eles escolhiam, de forma consciente, a alegria. Eu, que carregava o peso silencioso da doença degenerativa da minha mãe e a memória escura e dolorosa de uma perda irreparável causada por mãos cruéis, sentia um nó se formar na minha garganta. Mas não era um nó de tristeza; era um nó de esperança pura. Por que a gente se

