Capitulo 11

1116 Words

— Não precisa doer, mãe. É o meu trabalho. E eu faço de bom grado, a senhora sabe disso — respondi, colocando os comprimidos na palma da mão dela e levando o copo até os seus lábios. — A comida ficou ótima hoje. O feijão está exatamente com aquele caldo grosso que a senhora gosta. Eu deixei um prato separado na geladeira para o seu almoço. Ela engoliu os remédios com dificuldade e entregou o copo de volta, segurando o meu pulso com as duas mãos trêmulas. O olhar dela escureceu, tomado por aquela preocupação constante que a adoecia tanto quanto o próprio câncer. — É muito peso para você carregar sozinha, Serena. Uma menina da sua idade não deveria estar cruzando a cidade inteira, vendendo marmita de porta em porta, em ruas onde a gente não sabe quem é quem. — A respiração dela acelerou um

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