Ele virou as costas sem olhar pra trás e começou a descer a viela escura, com os ombros pesados, caminhando igualzinho a um fantasma que só tinha um único propósito sombrio antes de desaparecer da terra. Fiquei encarando as costas do Jorge sumirem no meio dos barracos, com um sorriso de escárnio preso na garganta. Por fora, eu mantinha a postura imponente do novo dono do morro. Por dentro, o alarme de incêndio tava tocando no talo, vermelho e barulhento. Esse maldito ia dar trabalho, muito trabalho. O Jorge não era um vaporzinho qualquer que se contentava com meia dúzia de mentiras bem contadas. Ele tinha contatos pesados na pista, conhecia gente da alta cúpula no asfalto e na polícia. Se ele começasse a cavoucar demais nos escombros daquele acidente, se ele tropeçasse em um dos terceiriz

