O tempo voou. Aquela p***a de relógio parecia que tinha tomado estimulante na veia, e a noite foi caindo sem avisar, escurecendo a favela. Quando fui reparar, o Miguel já tava com o zóio de peixe morto, piscando lento, lutando bravamente pra ficar acordado enquanto tentava segurar o boneco de super-herói que a gente tinha acabado de achar no caça ao tesouro. O corpo dele já tava mole. — Já deu por hoje, campeão. Acabou a pilha — falei, mudando a voz pra um tom de paizão, puxando o boneco da mão dele e afastando o Miguel da confusão dos lençóis. Levei o moleque no colo pro quarto dele. Ajudei ele a tirar a roupa suada de brincadeira e enfiei o pijama pelos braços moles, ainda ouvindo ele balbuciar, meio grogue, sobre como ele tinha me vencido e me dado um baile no esconde-esconde. Ele tav

