Eu levei as mãos à boca, abafando um som, fingindo o horror absoluto. Por dentro, eu tava rindo, uma gargalhada histérica, doentia, comemorando insanamente o fato de que o Caveira tinha feito o serviço completo, impecável, sem deixar herdeiro nenhum, sem deixar viúva pra chorar miséria ou reivindicar herança. Limpo. Cirúrgico. Mas por fora, eu desabei de vez. Caí de joelhos no chão de terra úmida, soltando um urro falso, rouco, que ecoou por toda a praça principal. — NÃO! MENTIRA, c*****o! O MEU SOBRINHO NÃO! A CUNHADA NÃO, p***a! — esbravejei com ódio fingido, dando um soco no chão com força real pra ralar os nós dos dedos de verdade e garantir a credibilidade da cena. Levantei num pulo só, agarrando o colarinho da blusa do Jorge com violência. — E O BENJAMIM?! CADÊ O MEU IRMÃO, JORGE?!

