Dentro de casa ninguém sabia ao certo o que Savio fazia, aparentemente ele estava cada dia mais instável, bebia todos os dias, gritos eram frequentes, mas a pose de homem rico e bom pai de família ficava claro para quem via de fora.
Se ao menos a mãe tivesse forças para mudar aquela situação, a vida infernal poderia ser diferente.
Mas Mia tinha tanto medo do pai quanto a mãe, a única diferença é que a mãe concordava com tudo o que era feito e da maneira que era feito, afinal para Suzy, os homens eram assim, tinham sempre razão, estavam acima de tudo, e de certa forma ela era grata por Savio manter as aparências para os de fora. Em suas orações ela agradecia ao marido que tinha, mesmo quando o corpo estava coberto de marcas e o cheiro de álcool e o perfume de outras mulheres estava em suas roupas.
Essa foi a criação que Suzy recebeu e o que entendia por correto, e assim, com essa pensamento e atitude queria criar e ensinar a única filha.
O homem da casa tinha necessidades e se a mulher não podia suprir, ele poderia sim buscar na rua, com esse pensamento Suzy se sentia culpada e em alguns momentos até culpava a filha, pois se não ficasse tão ocupada poderia agradar o marido. O que não entendia é que o problema nem era de Suzy e nem de Mia.
Mas a dois anos Mia entendia a existência de inúmeras formas de violência, mas o carinho que vinha seguido da bebedeira do pai era nojento, as carícias veladas os elogios sem propósito a faziam se trancar no quarto e a fugir de algo que sabia ser sórdido e c***l, que se passava na cabeça do pai.
Para Mia seu quarto era a sua prisão, mas por enquanto a mantinha segura do que nem mesmo imaginava ser possível acontecer em familia.
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_ Maitê, o que houve naquela noite? Você parecia tão alegre, estava pronta para se declarar ao John.
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Enquanto elas tomavam o sorvete de baunilha com pedaços de chocolate, o preferido das duas meninas, faziam planos para uma declaração de amor, planos para uma linda história de amor, planos para um futuro feliz.
Mas durante a noite uma chuva muito forte caiu, e apenas o som da água e dos trovões era ouvido, o café da manhã já estava servido e os minutos passando, Savio e Suzy trocavam olhares em silêncio enquanto tomavam café, e nada da Maitê aparecer para o grande dia.
Mia correu para chama-la, a faculdade e o John não podiam esperar, o dia está lindo e prometia só felicidade, mas Maitê estava inerte na cama e ao seu lado um pote de algum tipo de remédio.